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Capa do romance A Garagem Guardava Seus Segredos

A Garagem Guardava Seus Segredos

Seis meses após o casamento, Arthur proibiu meu acesso à garagem da minha própria casa. O que era um refúgio criativo virou um pesadelo: ele passou a me algemar à noite para esconder seus segredos. Após ser agredida e ameaçada, descobri que ele escondia o irmão foragido, um assassino, naquele local. Diante da ameaça de morte, decidi agir. Usei um laxante potente em seu café para incapacitá-lo, iniciando minha vingança para destruir o mundo do homem que me traiu.
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Capítulo 1

Seis meses depois do nosso casamento, meu marido, Arthur, declarou que a garagem estava proibida para mim. Ele a chamava de seu "espaço criativo", mas a casa era minha, comprada com a minha herança, e a frieza repentina dele soou como uma invasão.

Logo, o segredo se tornou uma prisão. Ele começou a me algemar na nossa cama à noite, me acorrentando como um animal para que pudesse descer sorrateiramente para sua preciosa garagem enquanto eu dormia.

Quando o confrontei, ele rastreou meu celular, me deu um soco no rosto e ameaçou levar metade da minha casa no divórcio. Ele era um monstro com o rosto do meu marido, e eu estava presa com ele.

Uma noite, depois de conseguir abrir a algema, desci as escadas e ouvi vozes. Era Arthur e seu irmão foragido, um homem que havia matado uma família inteira em um atropelamento e fugido. Ouvi o irmão dele ameaçar "cuidar" de mim.

Na manhã seguinte, sorri e preparei o café da manhã favorito do meu marido. Mas, ao servir suas panquecas, adicionei um ingrediente especial: um laxante potente, o suficiente para mandá-lo direto para o pronto-socorro. Ele achava que me tinha encurralado. Mal sabia ele que eu estava prestes a queimar seu mundo inteiro até as cinzas.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Alice Moraes

A primeira vez que meu marido, Arthur, me disse que eu não podia entrar na nossa garagem, eu ri. Na segunda vez, ele não estava sorrindo.

"Estou falando sério, Alice", ele disse, sua voz um trovão baixo que vibrava com uma dureza que eu nunca tinha visto. Ele estava parado na porta que ligava a cozinha à garagem, seu corpo bloqueando fisicamente meu caminho. "É o meu estúdio agora. Meu espaço criativo. Não posso ter você entrando e saindo, atrapalhando o fluxo."

A raiva subiu, quente e instantânea, no meu peito. Respirei fundo, tentando me acalmar, mas o cheiro de tinta fresca e serragem vindo do outro lado da porta zombava de mim. Aquilo não era só uma garagem. Era parte da minha casa. A casa que eu comprei com a herança que minha avó me deixou, até o último centavo. Lembro dela me dizendo, com a voz fina como papel antigo: "Compre algo seu, minha querida. Um lugar para fincar suas raízes, não importa o que aconteça."

E eu comprei. Este sobrado em um bairro nobre de Curitiba, com seu gramado bem cuidado, era a minha base.

"Arthur, seja razoável", eu disse, mantendo meu tom de voz calmo, uma habilidade que aperfeiçoei como analista financeira lidando com clientes voláteis. "Eu só preciso pegar as tesouras de jardinagem."

"Não."

A palavra foi um tapa na cara. Ele não levantou a voz, mas a finalidade dela foi mais chocante do que um grito. Minha boca se abriu um pouco. Este não era o músico carismático e de espírito livre com quem eu havia me casado há seis meses. O homem que me conquistou com serenatas na calçada e promessas de uma vida cheia de arte e paixão. Este era um estranho usando o rosto do meu marido.

"Como assim, 'não'?", perguntei, minha voz subindo apesar dos meus esforços.

"Quero dizer que o estúdio está proibido. Eu pego as tesouras para você mais tarde. Quando eu terminar." Ele fez menção de fechar a porta.

Eu estendi a mão, pressionando-a contra a madeira fria. "Mais tarde? Quando vai ser isso? Você está aí desde o amanhecer."

Seus olhos, os mesmos olhos castanhos e quentes que costumavam me olhar como se eu fosse um milagre, ficaram gelados. "Não me provoca, Alice. Você tem a casa inteira. Não posso ter uma porra de um cômodo para mim?"

O palavrão me atingiu como um soco no estômago. Ele nunca xingava na minha frente. Nunca. Um nó de gelo se formou na minha barriga, esfriando o fogo da minha raiva. Algo estava errado. Muito, muito errado.

Tentei apagar o incêndio dentro de mim, aquele que gritava que isso era uma violação inaceitável. Minha mente pragmática assumiu, analisando a situação. O confronto direto falhou. Insistir provavelmente levaria a uma briga maior, uma que parecia assustadoramente imprevisível agora. Eu precisava de informações, não de uma gritaria.

"Arthur", comecei de novo, minha voz mais suave desta vez, uma escolha deliberada. "Fala comigo. O que está acontecendo? Você tem estado tão cheio de segredos ultimamente. Isso não é do seu feitio."

Ele suspirou, a tensão em seus ombros diminuindo um pouco. Foi um movimento calculado, uma performance de cansaço. "Olha, amor, desculpa por ter sido grosso. É que... estou prestes a criar algo grande. Um som totalmente novo. É delicado. Não posso ter nenhuma energia externa interferindo. Você entende, não é? Você, mais do que ninguém, sabe o quanto isso é importante para mim."

Ele estava me manipulando, usando o apoio que eu sempre dei às suas ambições artísticas como uma arma contra mim agora. A vontade de jogar isso na cara dele era imensa, mas segurei a língua.

"Eu entendo", eu disse, a mentira com gosto de cinzas na minha boca. "Eu só quero entender. Por que essa proibição repentina? A casa também é minha, Arthur. Tenho o direito de saber por que uma parte dela de repente se tornou território proibido."

Seu olhar desviou por um segundo, uma microexpressão de algo que não consegui ler. Culpa? Medo?

"Não é proibido", disse ele, em tom apaziguador. "Está apenas... em construção. Criativamente. O equipamento é sensível. A acústica tem que ser perfeita. Assim que tudo estiver montado, eu te faço um tour completo. Prometo."

Ele ainda estava bloqueando fisicamente a porta, o braço apoiado no batente. Uma postura casual que era tudo, menos casual. Ele era uma barreira, um muro humano na minha própria casa.

"Então você está dizendo que eu nunca mais vou poder entrar aí?", insisti, precisando ouvi-lo dizer de novo, precisando confirmar o absurdo da situação.

"Estou dizendo que você precisa confiar em mim", disse ele, sua voz baixando para aquele tom suave e persuasivo que ele usava quando estava tentando vencer uma discussão que sabia que estava perdendo. "A grande revelação vai valer a pena. Apenas me dê um tempo, Lice. Mais algumas semanas."

Um pavor gelado tomou conta de mim, um pressentimento de que isso não tinha nada a ver com música. Semanas? Para quê? Para instalar alguns alto-falantes e uma mesa de som? Eu mesma o ajudei a trazer seu equipamento antigo. Levou um dia.

Lembrei-me do jeito que ele havia descartado minhas preocupações mais cedo com aquele xingamento cruel e desdenhoso. "Você tem a casa inteira." Como se ele fosse um senhorio generoso e eu uma inquilina dependendo da sua boa vontade.

Ele tentou suavizar sua postura, vendo a tempestade se formando em meus olhos. "Olha, o que eu disse antes... não foi por mal. Você sabe que não. Às vezes as palavras saem erradas quando a música está tão alta na minha cabeça."

Eu quase zombei. O artista apaixonado e incompreendido. Era um papel que ele interpretava bem, mas a fantasia estava começando a se desgastar.

Eu não encontraria nenhuma resposta pressionando-o assim. Ele apenas construiria seus muros mais altos. Eu tinha que encontrar outro caminho.

Naquela noite, o sono era um país distante que eu não conseguia alcançar. Cada rangido da casa, cada farfalhar dos lençóis, enviava uma onda de ansiedade através de mim. O silêncio do lado de Arthur na cama era igualmente alto. Ele estava deitado de costas, olhando para o teto, o maxilar tenso. Ele estava tão acordado quanto eu.

Pensei em quando nos conhecemos. Ele estava tocando violão na esquina de uma rua, sua voz crua e cheia de uma dor bonita. Eu, a analista financeira pragmática que planejava sua vida em planilhas, fiquei completamente cativada. Ele me disse que eu era sua musa, que minha mente estável e lógica aterrava sua criatividade caótica. Ele disse que admirava minha independência, meu sucesso, o fato de eu ter construído uma vida para mim mesma. Ele me fez sentir vista, não pelo dinheiro que herdei, mas pela pessoa que eu era.

Ou assim eu pensava.

Agora, deitada no escuro, uma pergunta doentia se insinuou em minha mente. Ele tinha me visto, ou tinha visto minha casa? Minha estabilidade financeira? Um lugar seguro e insuspeito para... o quê?

Outra pergunta veio logo em seguida. Por que ele não me tocava? Nos seis meses em que estivemos casados, tivemos intimidade menos de uma dúzia de vezes. Ele sempre tinha uma desculpa. Estava muito imerso em uma melodia, sua mente estava em outro lugar, não estava se sentindo bem. Ele beijava minha testa, sussurrava "Eu te amo, minha musa" e se virava, deixando um abismo frio entre nós na cama king-size.

Uma onda de desejo desesperado me invadiu. Eu precisava me sentir conectada a ele, ao homem com quem pensei ter me casado. Eu me mexi, me aproximei e coloquei minha mão em seu peito.

Seu corpo inteiro ficou rígido, como se eu o tivesse eletrocutado. Ele se afastou do meu toque com tanta violência que quase rolou para fora da cama.

"Arthur?", sussurrei, minha mão congelada no ar onde seu coração estivera.

Ele se sentou, respirando pesadamente, de costas para mim. "Não. Por favor, Alice. Só... não."

A rejeição foi absoluta. Não era apenas falta de desejo; era uma repulsa visceral. E naquele momento, no brilho estéril do luar que se filtrava pelas persianas, uma ficha terrível caiu.

Não era que ele não pudesse me tocar. Era que ele não queria. Ele não me queria de jeito nenhum.

"Por quê?", a palavra foi um som cru e quebrado. "Por que você se casou comigo, Arthur? Se você não suporta nem que eu te toque, por que você me procurou? Por que você me implorou para ser sua esposa?"

Lembrei-me de suas alegações de ter algum bloqueio psicológico vago, uma promessa sussurrada no escuro de que melhoraria quando ele se sentisse mais seguro, quando sua música decolasse. Era tudo mentira.

"Eu te disse", ele murmurou, a voz tensa. "Eu tenho problemas. Estou trabalhando neles. Vai melhorar. Eu prometo."

Ele pegou o copo de água em sua mesa de cabeceira e bebeu um longo gole, a mão tremendo levemente. Ele não se virou para me encarar. Ele não usou a mão para me confortar. Ele usou um objeto, uma barreira.

Foi mais do que rejeição. Foi uma declaração. Senti-me contaminada, como se meu toque fosse algo a ser lavado.

Eu não disse nada. Não havia mais nada a dizer. Rolei para o meu lado, de frente para a janela, de costas para ele, um espelho de sua própria postura. Pensei em tudo que eu havia feito por ele. Eu pagava todas as contas para que ele pudesse se concentrar em sua "arte". Comprei para ele um violão novo no nosso aniversário de um mês. Defendi sua falta de um emprego fixo para meus amigos e familiares preocupados, dizendo-lhes para acreditarem em seu talento como eu acreditava.

Eu havia investido tudo neste casamento: minha casa, meu dinheiro, meu coração. E em troca, recebi uma porta trancada e um marido que se afastava do meu toque.

Tudo isso — o segredo, a distância emocional, as mentiras — tudo irradiava de um lugar.

A garagem.

O que quer que estivesse naquela garagem era mais importante para ele do que sua esposa. Mais importante do que nosso casamento. E eu ia descobrir o que era.

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