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Capa do romance A Fúria de uma Mãe: Vingança e Recomeço

A Fúria de uma Mãe: Vingança e Recomeço

No quinto aniversário de morte do pequeno Lucas, a dor de sua mãe é insultada pela frieza de Pedro. Além de trazer a ex-amante Beatriz para morar com eles, o marido descarta os pertences do filho falecido para apagar seu rastro. Beatriz é a mesma mulher que causou a tragédia na estrada anos atrás. Consumida por uma fúria renascida, a protagonista decide abandonar o luto pela sobrevivência. O corte no bolo marca o início de uma vingança implacável contra o casal.
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Capítulo 3

No dia seguinte, acordei cedo.

A casa estava silenciosa. O Pedro já tinha saído. Provavelmente para ir buscar a Beatriz.

Fui ao quarto do Lucas. Estava exatamente como ele o tinha deixado. Os seus brinquedos arrumados na prateleira, os seus desenhos colados na parede.

Sentei-me na sua pequena cama e abracei o seu urso de peluche. O cheiro dele ainda estava lá, fraco, mas presente.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Eu enxuguei-a rapidamente. Hoje não era dia para chorar. Era dia para lutar.

Levantei-me e fui para a cozinha. Preparei o pequeno-almoço, comi em silêncio e depois comecei a limpar a casa.

Tirei o pó, aspirei o chão, lavei a loiça. Queria que tudo estivesse perfeito. Imaculado.

Quando a campainha tocou, o meu coração parou por um segundo. Respirei fundo e fui abrir a porta.

Era o Pedro. E ao lado dele, estava a Beatriz.

Ela parecia pálida e frágil, apoiada no braço do Pedro como se não conseguisse ficar de pé sozinha. Usava um vestido branco simples que a fazia parecer ainda mais doente.

Os seus olhos encontraram os meus. Havia um brilho de triunfo neles.

"Sofia," disse o Pedro, com uma voz falsamente alegre. "A Beatriz está aqui."

"Eu vejo," respondi, a minha voz neutra.

Abri mais a porta.

"Entrem."

O Pedro ajudou a Beatriz a entrar, tratando-a como se fosse feita de vidro. Ele levou-a até ao sofá e fê-la sentar-se.

"Queres um pouco de água, Bia? Ou talvez um chá?"

"Água está bom, obrigada, Pedro," ela sussurrou, com uma voz fraca.

Ele correu para a cozinha.

Fiquei sozinha com ela na sala. O silêncio era pesado.

"Esta casa é bonita," disse ela, olhando em volta. "Vocês decoraram-na bem."

"Eu decorei-a," corrigi. "Para a minha família."

Ela sorriu, um sorriso pequeno e forçado.

"Claro."

O Pedro voltou com um copo de água. Entregou-o à Beatriz com o maior cuidado.

"Obrigada, querido."

Querido. A palavra atingiu-me.

"Eu vou levar as tuas coisas para o quarto de hóspedes," disse o Pedro.

"Não," eu disse, com firmeza.

Ele virou-se para mim, confuso.

"O quarto de hóspedes está ocupado."

"Ocupado? Com o quê?"

"Com as coisas do meu filho."

A cara do Pedro ficou vermelha de raiva.

"Sofia, já falámos sobre isto. O Lucas..."

"O nome dele é Lucas," interrompi. "E aquele é o quarto dele. Ela não vai ficar lá."

A Beatriz começou a tossir, uma tosse seca e fraca.

"Está tudo bem, Pedro," disse ela, entre tosses. "Eu posso ficar no sofá. Não quero causar problemas."

O Pedro olhou para ela com preocupação e depois para mim com pura fúria.

"Vês o que fizeste? Ela está doente!"

"Então leva-a para um hospital. Ou para a casa da família dela."

"A família dela não a pode ter agora!"

"Que conveniente."

"Sofia, para com isso!" ele gritou. "Ela vai ficar aqui! E vai ficar no quarto de hóspedes! Tira as coisas do Lucas de lá, agora!"

Eu cruzei os braços.

"Não."

Nós encarámo-nos, a tensão na sala era quase palpável. A Beatriz observava-nos, com uma expressão de falsa inocência no rosto.

Ela estava a gostar disto. Ela estava a adorar ver-nos a lutar por causa dela.

O Pedro respirou fundo, tentando controlar-se.

"Ok," disse ele, com uma calma assustadora. "Se tu não o fazes, eu faço."

Ele virou-se e caminhou em direção ao quarto do Lucas.

O meu sangue gelou.

"Não te atrevas a tocar nas coisas dele, Pedro."

Ele ignorou-me e abriu a porta do quarto.

Eu corri atrás dele.

"Eu disse para não tocares!"

Ele já estava lá dentro, a olhar para os brinquedos e os desenhos. Por um momento, vi uma sombra de dor no seu rosto. Mas desapareceu tão depressa como apareceu.

Ele pegou num saco de lixo preto da sua mala.

"Pedro, não."

Ele começou a varrer os brinquedos da prateleira para dentro do saco. O som dos carros de plástico e dos blocos de madeira a baterem uns nos outros era ensurdecedor.

Cada som era uma facada no meu peito.

Eu tentei tirar-lhe o saco, mas ele empurrou-me.

"Fica longe disto, Sofia!"

"São as coisas dele! São tudo o que me resta!"

"São apenas coisas! Ele já se foi!"

Ele estava a rasgar os desenhos da parede, a amachucá-los e a atirá-los para o saco. Os desenhos que o Lucas tinha feito para nós. Um sol sorridente, uma casa, a nossa família de mãos dadas.

Eu caí de joelhos, a chorar.

"Para, por favor, para."

Ele não parou. Continuou até o quarto estar vazio. Despido. Sem alma.

Ele arrastou o saco para fora do quarto e fechou a porta.

"Agora," disse ele, a sua voz fria e dura. "O quarto de hóspedes está livre."

Ele olhou para mim, caída no chão, e não havia um pingo de piedade nos seus olhos.

A Beatriz apareceu à porta, a olhar para a cena com uma satisfação mal disfarçada.

"Está tudo bem, Pedro?"

"Sim, Bia. Tudo resolvido."

Ele foi até ela e pôs um braço à volta dos seus ombros.

"Vem, vou ajudar-te a instalar-te."

Eles afastaram-se, deixando-me sozinha no corredor, em frente à porta fechada do quarto agora vazio do meu filho.

Naquele momento, eu percebi.

O meu marido não me amava mais. Talvez nunca me tenha amado.

E eu não ia deixar que eles vencessem.

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