
A Filha Esquecida da Máfia Está de Volta
Capítulo 3
Ponto de Vista de Alana:
Eles me puseram para trabalhar nas cozinhas. Descascando batatas, esfregando o chão — um castigo disfarçado de tarefa. O trabalho físico era exaustivo, minha perna uma agonia constante e gritante, mas eu acolhia a queimação. Mantinha as memórias à distância.
Por um momento fugaz, lembrei-me de um tempo antes de me perder. Um tempo em que as mãos da minha mãe eram gentis, quando o sorriso do meu pai ainda alcançava seus olhos. Esmaguei a memória. Aquela família estava morta.
Uma noite, enquanto eu mancava de volta para o meu galpão, Dante me interceptou na beira do bosque. Um sedan de luxo preto e elegante estava parado por perto, seu motor um ronronar baixo.
Ele me estendeu uma pequena caixa. Dentro havia um bolinho com amoras silvestres, meu favorito de uma infância que parecia a vida de outra pessoa. Era uma tentativa desajeitada e patética de paz.
"Eu também comprei isto para você", disse ele, estendendo outra caixa.
Dentro, aninhado em veludo preto, havia um vestido de seda carmesim. O tipo de vestido que eu sonhava em usar como sua esposa, a Rainha desta cidade.
Minha mente voltou à emboscada quando éramos adolescentes. A dor de uma bala com ponta de prata destinada a ele. Ele nunca soube que fui eu. Sofia havia reivindicado a glória e, com ela, a dívida de vida que ele agora se sentia obrigado a pagar.
"Eu não gosto de vermelho", eu disse, empurrando a caixa de volta para ele. A confusão em seu rosto foi uma pequena e amarga vitória.
"Vamos dar uma volta", ele sugeriu, sua voz mais suave do que eu a ouvia há anos. "Até o Lago da Lua. Como costumávamos fazer."
Entrei no carro. Uma curiosidade amarga me impulsionou. Eu queria ver quanto tempo a performance duraria.
Estávamos na metade do caminho quando o celular dele vibrou. Ele olhou para a tela e seu corpo inteiro enrijeceu.
Claro que era ela. Sofia precisava dele.
Seu foco, seu mundo inteiro, voltou-se para ela. O breve calor em seus olhos desapareceu, substituído pela autoridade fria do Dom.
"Dê a volta no carro. Agora", ele latiu para o motorista.
Ele não pediu desculpas. Não explicou. Nem sequer olhou para mim.
O motorista parou no acostamento escuro e vazio da estrada. Dante gesticulou bruscamente em direção à minha porta — uma ordem, não um convite. Saia.
Eu saí.
A porta pesada bateu atrás de mim.
Ele me deixou ali, na beira da estrada, enquanto o sedan acelerava de volta para a mansão, de volta para ela.
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