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Capa do romance A filha do CEO sem coração

A filha do CEO sem coração

James, o implacável CEO das Indústrias Wayne, sempre usou mulheres como objetos. Ao conhecer Aurora, uma brasileira batalhadora e doce, ele a seduz e a abandona cruelmente, deixando dinheiro como pagamento. Anos depois, o remorso o consome e ele decide reencontrá-la. Contudo, James não imagina que Aurora agora o despreza profundamente e que sua partida deixou um fruto inesperado: uma filha que ele jamais conheceu e terá que conquistar.
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Capítulo 2

Capítulo 1

Meu celular tocou me arrancando do meu sono e me fazendo gemer de frustração. Eu só queria poder dormir mais duas horas, mas infelizmente eu não tive essa opção.

Hoje era meu primeiro dia de trabalho e eu não podia me atrasar, não podia fazer feio já de cara, como sempre dizia minha mãe: a primeira impressão é a que fica.

- Aurora! Não vai perder a hora menina! - minha avó gritou do outro lado da porta.

As batidas dela quase me fizeram bater a cabeça na cama, mas eu joguei as cobertas para o lado e pulei, me arrastando para abrir a porta antes que ela derrubasse tudo.

- Já estou de pé, vozinha. Não esquenta a cabeça porque eu não vou perder esse emprego por nada.

O sorriso contido se abriu, me dizendo que com certeza ela ainda estava sem a dentadura. Minha avó morava com a gente desde que minha mãe se separou do meu pai, após anos sofrendo nas mãos dele, Helena decidiu o abandonar e já faz dez anos que somos só nós três.

A senhora rechonchuda, de cabelos grisalhos e rugas em volta dos olhos verdes, tinha sido responsável por grande parte da minha criação, ela e minha mãe me ensinaram tudo o que eu sei.

- Não vou esquentar a cabeça, vou esquentar seu café. - ela disse me fazendo rir. - Sei que vai se sair muito bem e logo vai estar como gerente naquele lugar, ganhando tão bem que vai poder estudar o que tanto quer.

Minha avó saiu gritando e eu continuei parada na porta por um instante, pensando no que ela tinha acabado de dizer. Sempre quis trabalhar com moda, ter minha própria linha de roupa, mas isso era um sonho longe de mais para uma garota da periferia de São Paulo.

Mas isso nem a realidade difícil me impedia de sonhar, eu tinha fé que em algum momento iria conseguir dinheiro suficiente.

- E o primeiro passo você está dando hoje! - afirmei para mim mesma antes de ir tomar um banho.

Não me demorei em sair de casa, o trânsito na cidade era certo, a única coisa incerta era o tempo da demora, duas horas ou o dia inteiro para ir de um lugar ao outro.

O hotel Empire ficava no centro da cidade e era bem conhecido pelo pessoal que o frequentava, pessoas ricas e influentes sempre se hospedavam ali. Conseguir o emprego de camareira foi uma sorte enorme, minha mãe era amiga da gerente e é claro que fez questão de entregar meu currículo, várias e várias vezes, até que eles não conseguissem me ignorar.

Conseguir falar em inglês já era um grande diferencial, uma qualificação que eu só tinha graças a um curso que consegui bolsa anos atrás e a muito interesse da minha parte, afinal se eu quisesse ser uma estilista famosa precisava estar preparada para falar com pessoas do mundo todo.

Sorri comigo mesma enquanto fantasiava isso sobre minha vida indo direto para a entrada de funcionários, precisava encontrar a chefe das camareiras para saber quais eram as ordens do dia antes de me trocar... meu corpo se chocou contra uma parede e eu caí direto no chão.

- Shit! - uma voz grossa soou aos meus ouvidos enquanto eu tentava lidar com a dor que se espalhava em minha bunda. - Você está machucada?

Um homem perguntou, o sotaque arrastado e a dificuldade em expressar as palavras chamaram minha atenção no mesmo instante, me fazendo esquecer da dor por um instante.

Ergui meus olhos dando de cara com um homem alto e lindo, os cabelos castanhos perfeitamente penteados em um topete, eram do mesmo tom da barba e dos olhos penetrantes.

- Eu estou bem. - murmurei tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer. Ali era a entrada de funcionários, então aquele homem na minha frente só poderia ser um dos chefes da minha chefe. - Não vi o senhor chegando, mil perdões. Estava tão distraída que não olhei o caminho, mas prometo que isso não vai se repetir, vou ser mais atenta. - tagarelei com medo de que o pior pudesse acontecer, eu não queria acabar sendo demitida no meu primeiro dia.

- Fuck. - ele se curvou agarrando minha cintura e meus braços envolveram o pescoço dele antes que percebesse o que estava fazendo.

- Oh... - ele me puxou para cima, me colocando sobre meus pés novamente e me mantendo muito próximo ao seu corpo. - Fale devagar, não entendo tão bem o português.

Demorou alguns segundos antes que as palavras dele fizessem algum sentido para mim, porque eu estava concentrada demais na beleza daquele homem e na nossa proximidade, então minha ficha caiu.

- Você é gringo! Claro, claro. - falei mais para mim do que para ele, que me lançou um olhar de confusão. - Eu não vi por onde estava indo, entrei tão distraída que não olhei em volta. Perdão, isso não vai voltar a acontecer.

Os olhos dele brilharam quando as palavras saíram da minha boca em sua língua natal, e eu aproveitei o momento de surpresa dele para analisá-lo ainda mais.

Ele parecia ter saído de alguma novela das nove, era o perfil completo de um galã, o nariz perfeito, os lábios carnudos, a pele impecavelmente bronzeada. Respirei fundo só para descobrir que até o perfume dele era sedutor.

- Graças a Deus, você fala minha língua. Estava precisando conversar com alguém que não fosse os investidores. - ele finalmente olhou para as próprias mãos, lembrando que ainda me segurava e que meus braços ainda estavam em volta do seu pescoço. - Desculpe, eu não quis ser invasivo.

O homem deu um passo para trás me soltando, me obrigando a tirar as mãos dele e recuar também.

- Não se preocupe, eu que estou sendo invasiva, mas já vou sair do seu caminho e ir trabalhar. - apontei o corredor que se estendia a direita dele e seus olhos seguiram o caminho.

- Me diga ao menos o seu nome, posso precisar de um tradutor.

Olhei em volta me perguntando se aquilo era uma pegadinha ou teste de primeiro dia, eu tinha certeza de que o hotel tinha contato com tradutores, então aquele homem só estava me testando.

- O hotel tem uma lista dos melhores tradutores disponíveis em São Paulo, o pessoal na recepção pode te explicar melhor sobre tudo. - dei meu melhor sorriso e me afastei dele, dando um passo para o lado. - Agora se me der licença, preciso voltar para o meu trabalho.

Me apressei andando no corredor sabendo que evitar contato com os hóspedes era uma das regras mais duras do hotel. Esse homem vestido daquele jeito e andando naquela área, só podia significar um teste dos chefes.

Entrei rápido na sala de funcionários, e por mais que quisesse dar uma última olhada no homem do corredor, eu estava totalmente atenta a minha volta para não esbarrar em ninguém.

- Menina você chegou cedo! - Teresa exclamou chamando minha atenção e das outras pessoas que tomavam café no lugar. - Vem, senta aqui comigo que já vou te deixando a par de tudo, você parece animada para começar a trabalhar.

Ela e os outros riram e eu forcei minhas pernas a funcionarem para me juntar a eles, mesmo que minha mente estivesse imaginando aquele homem entrando aqui a qualquer momento.

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