
A fabulosa ex-esposa do CEO
Capítulo 2
Piper ficou radiante com o comentário de Ezrah, embora soubesse que Zora ainda carregava o título de senhora Gannon — um status que ela desejava há muito tempo.
Como ela desejava que aquela noite jamais tivesse acontecido. Se aquele homem inútil não tivesse surgido bem quando ela estava prestes a ir para o aeroporto pegar o jato particular, ela teria sido a mulher a acordar na cama de Ezrah.
A simples lembrança queimava por dentro. Por que justamente a insignificante Zora?
"Ezrah, você tem certeza de que vai se divorciar dela?", Piper questionou.
Ezrah detestava que duvidassem de sua palavra, então respondeu seco: "Você não acredita em mim? Só estou com ela porque está esperando um filho meu. Assim que nascer, eu me divorcio."
Satisfeita, Piper abriu um sorriso e, como já havia salvo o contato de Zora quando atendeu a ligação, enviou para ela a gravação da conversa.
Lembrando-se de que o mordomo havia ligado avisando que Zora estava doente, ela apagou o áudio do próprio celular e perguntou a Ezrah: "Você pode ir às compras comigo? Não trouxe roupas suficientes."
Mesmo que Zora mostrasse o áudio para Ezrah, Piper negaria tudo — ele não conhecia o número que ela usara para enviá-lo.
"Tenho outra reunião em duas horas. Então você tem uma hora e meia para resolver o que precisa", respondeu Ezrah, num tom mais leve.
Ao ouvir o áudio, o coração de Zora se apertou.
O mordomo, que dirigia o carro, sentiu-se impotente e também decepcionado com o chefe.
Zora então perguntou, do banco traseiro do luxuoso veículo: "Ele realmente disse que nos encontraria no hospital?"
A garganta do mordomo secou. Ele sempre conseguia criar desculpas para aliviar a situação para seu chefe, mas dessa vez tudo desmoronou — o áudio dizia a verdade.
"Sinto muito, senhora. Eu… só não queria que ficasse triste."
O coração de Zora se contraiu e um sorriso amargo surgiu em seus lábios quando lágrimas começaram a se acumular. Para Ezrah, ela não significava absolutamente nada. Aqueles pequenos gestos que pareciam demonstrar cuidado eram apenas encenações criadas pelo mordomo.
Ela se sentia ridícula, mas não teve tempo de se recompor antes que uma força brutal atingiu o carro pela lateral, lançando-o para fora da pista.
O veículo capotou três vezes e o mordomo desmaiou na hora. Zora experimentou uma dor lancinante, enquanto sangue escorria de sua boca, nariz e, logo depois, entre suas pernas.
Nada podia descrever a agonia de sentir a vida se esvair, com uma dor avassaladora tomando seu abdômen.
Mesmo assim, ela conseguiu alcançar o celular caído no chão e discou o número do marido.
Sem conseguir erguer o aparelho até a orelha, ela ativou o viva-voz.
"Zora, estou ocupado."
Foi a primeira coisa que Ezrah disse ao atender, sem sequer esperar que ela falasse. Para ele, nada relacionado a Zora era importante.
Antes que a inconsciência a tomasse, Zora ouviu uma risada feminina e a voz suave dizendo: "Ezrah, quero esses sapatos."
"Experimente. Se servirem, pode ficar com eles."
"Então… ir às compras com outra mulher é o que você chama de estar ocupado…" Esse foi o último pensamento de Zora antes de desmaiar.
Após horas de cirurgia, Zora finalmente acordou no hospital. Seu rosto estava tão pálido quanto o de um fantasma, e sua aparência era deplorável.
O mordomo, Rudolph, estava sentado ao lado com um sorriso aliviado. Ele havia se machucado, mas os ferimentos não eram graves, e já tinha recebido alta.
"Senhora, graças a Deus você acordou."
Zora se alegrou ao ver que havia apenas alguns hematomas leves no rosto dele.
Rapidamente, Rudolph correu para chamar um médico.
"Senhora Gannon, como está se sentindo?", perguntou o médico enquanto a examinava e anotava algumas observações.
Mas Zora só tinha uma preocupação em mente e perguntou: "Como está o meu bebê?"
O olhar do médico escureceu. "Sinto muito… seu bebê não resistiu ao impacto."
Lágrimas brotaram, mas ela as segurou. Ela havia perdido tudo — abandonou a empresa do pai para trabalhar para Ezrah, lidou com a família arrogante dele e suportou humilhações.
Aos 23 anos, ela não tinha absolutamente nada em retorno do homem que amara em segredo por cinco longos anos. "Está tudo bem. De qualquer forma… ele só iria sofrer mesmo."
Seu coração congelou pela dor da perda do bebê.
"Como disse?" O médico arregalou os olhos, pois esperava que Zora desabasse como qualquer mãe, mas ela guardava toda a dor para si.
Ela suportou a indiferença de Ezrah por anos, mas nunca o perdoaria pela morte de seu bebê.
De repente, a imagem daquela mulher surgiu em sua mente — e logo depois o acidente. O caso precisava ser investigado, mas Ezrah… ele não tinha mais lugar em seu coração.
"Desculpe, eu… não falei para você", Zora respondeu, sua voz desprovida de qualquer calor.
O médico apenas encerrou o exame e saiu.
Quando ela olhou para a porta, Rudolph estava ali parado.
Ela queria chorar, mas não podia e apenas se culpava por ter sido fraca por tempo demais — e isso custou a vida de seu filho. Se tivesse ido embora quando Ezrah pediu o divórcio pela primeira vez, nada disso teria acontecido.
Na época, ela implorou para que ele não a deixasse. No entanto, no dia em que descobriu a gravidez, decidiu aceitar o divórcio e partir, já que pelo menos teria o filho dele como lembrança.
Infelizmente, o teste caiu da bolsa dela, e Ezrah viu. Mesmo decidindo esperar o parto, ele jamais mudou seu modo cruel de tratá-la.
"Onde Ezrah está?", perguntou Zora.
A frieza na voz dela fez um arrepio atravessar a espinha de Rudolph.
"Senhora… o homem que nos atingiu estava bêbado e morreu no local. A polícia não conseguiu localizar sua família", relatou o mordomo, desviando do assunto.
Zora não acreditou.
E, no instante em que percebeu que até ele estava mentindo para ela, sua confiança se quebrou e ela decidiu que investigaria tudo sozinha.
"Essa não foi a minha pergunta."
"O chefe saiu daqui há alguns minutos", respondeu Rudolph por fim.
Dessa vez, a fúria de Zora despertou. Não era apenas Ezrah — até Rudolph, o mordomo que deveria protegê-la, estava a tratando como uma tola.
"Não minta na minha cara de novo", disse ela, a voz firme e carregada de desprezo.
Rudolph contraiu os lábios e baixou a cabeça. "O chefe disse e cito: 'É lamentável. Deixe os médicos cuidarem dela. Estou muito ocupado no momento.'"
Zora sabia exatamente com o que ele estava ocupado: a mulher cuja voz ouvira no áudio. Ela acreditou que conseguiria se manter firme, mas uma lágrima escapou antes que pudesse contê-la.
Envergonhada por demonstrar fraqueza diante de Rudolph, ela o dispensou: "Obrigada por tudo, agora, gostaria de ficar sozinha, por favor."
Rudolph não deveria deixá-la sozinha, então hesitou. "Senho..."
"Eu disse que quero ficar sozinha, Rudolph", disse ela, o tom de voz aumentando.
"Está bem", respondeu ele.
Assim que ele saiu do quarto, Zora discou um número.
"Zora..."
"Pai, me desculpe. Eu cometi um erro… e agora perdi tudo."
As lágrimas caíram livremente enquanto ela falava com o pai. Ele sempre fora contra o casamento, desde que percebeu que Ezrah não correspondia ao sentimentos da filha — mas ela, cheia de esperança, acreditou que um dia ele mudaria.
Ela esperava um sermão do pai, um "eu te avisei".
Porém, a voz dele era suave ao perguntar: "O que aconteceu, Zora?"
"Sofri um acidente… e perdi o bebê. Decidi voltar para casa."
Diante do silêncio pesado do outro lado, Zora sabia que a perda do neto o entristecia profundamente.
Quando ela já estava prestes a desligar, ele disse subitamente: "Oh, Zora... Estou indo te buscar. Apenas me envie sua localização."
Zora recusou, porque não poderia partir antes de se separar legalmente de Ezrah. "Não, pai. Ainda tenho algumas coisas para resolver."
"O que é? Me deixe ajudar", respondeu ele, ansioso.
No entanto, ela não queria sobrecarregá-lo e não dependeria de mais ninguém.
A dor que carregava havia acelerado seu amadurecimento — a vida lhe dera um golpe que arrancou dela a inocência.
"Não se preocupe. Não é nada que eu não consiga lidar."
"Está bem. Vamos preparar sua festa de boas-vindas. Vou avisar a sua mãe."
Zora sorriu, aceitando o carinho do pai.
Três dias depois, recebeu alta do hospital. Enquanto aguardava Ezrah, ela mesma providenciou os papéis do divórcio.
Na terceira noite, tarde da madrugada, Ezrah finalmente chegou — cansado, mas ainda exibindo sua beleza fria e impecável.
Ao ouvir o carro, Zora, que havia passado noites em claro esperando por ele, se levantou e correu, mas parou no topo da escada quando viu Ezrah entrar pela porta da sala.
Em vez de ser a esposa que sempre o recebia com um sorriso, ela permanecia imóvel no alto da escada, e sua voz cortante ecoou pela casa: "Ótimas notícias, Ezrah! Nosso bebê morreu num acidente de carro. Não há mais nada entre nós — então vamos nos divorciar."
Ao ouvir isso, o homem que sempre lhe fora indiferente congelou completamente, tomado por um pânico súbito, incapaz de reagir por alguns segundos.
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