
A Ex do CEO: Um Recomeço Inevitável
Capítulo 3
O coração de Justine saltitava com força. Ao chegar mais perto, Kevin cerrou a mão direita.
— Tirem isso dela! — Apontou para a fita crepe em torno de seus punhos e calcanhares.
Depois que a livraram das amarras, Justine esfregou os pulsos vermelhos e, então, encarou o olhar sombrio do marido.
— Posso te explicar tudo, meu amor! — A voz dela titubeou.
— Comece a tagarelar. — As três palavras de ordem estavam carregadas de fúria.
Justine tentou se levantar para abraçá-lo, mas subitamente, o seu braço foi agarrado pela mão comprida de Kevin, que a colocou de volta na cadeira bruscamente.
— Não levante outra vez… — Ele mandou rudemente.
— Fui à Casa de Beatrice para mostrar os esboços de alguns vestidos.
A risada cruel reverberou pelo quarto mal iluminado do cativeiro para onde a levaram.
— Isso, continue… — A voz grossa estava cheia de sarcasmo. — Quero ver até onde você vai com suas mentiras.
— Estou falando a verdade…
— Já chega! — Movido pelo ódio, Kevin pegou o envelope que o conselheiro lhe deu e então retirou as fotografias, antes de tacar em cima de Justine. — Você estava em Quarto Oggiaro com o meu inimigo. — Não é mesmo, Alessandro? — Ele sibilou a pergunta entre os dentes.
— Sim, chefe. A sua esposa estava com Andrew Turner antes de pegarmos ela.
O olhar de Justine voou até encontrar o belo rosto do homem comprido e, então, mirou na mandíbula apertada do marido.
— Eu te amava… mas agora, só consigo te odiar com todas as minhas forças. — Franzido o cenho, Kevin esbravejou. — Você foi um lindo erro e a minha perdição, Justine Delacroix. — Pegou a Glock da mão de seu subordinado.
— Por favor, não me machuque, — ela se encolheu na cadeira, protegendo a barriga. — Estou grávida… — a voz tremida confessou.
Balançado com a revelação, o homem frio perscrutou a mulher que abraçava a barriga. Mesmo que a odiasse, ele ainda não tinha coragem de punir uma gestante.
Tocando o braço magro de Justine, ele a obrigou a se levantar.
— Suma da minha vista antes que eu faça algo do qual vou me arrepender. — Kevin voltou a assumir a sua habitual postura autoritária.
Era assim que ele agia com os subordinados, mas nunca a tratou daquela maneira.
— Mas, eu estou esperando um filho seu! — Ela mostrou o teste de gravidez que segurava.
— Procure o Andrew, tenho certeza de que o filho é dele — A raiva era tanta que ele se recusou a acreditar.
— Não. O bebê é seu! — Justine dizia enquanto ele daquele lugar com paredes emboloradas, deixando-a para trás. — Kevin, por favor, vamos conversar — suplicou.
Parando no corredor, ele cerrou o punho ao lado do corpo, sentindo uma raiva crescente tomar conta de cada fibra de seu ser.
— E quanto às regras, senhor? — O conselheiro ajeitou os óculos ao indagar. — Ela deveria ser castigada.
— Caspita, cale a boca! — A voz rouca berrou. — Tire-a da minha vista, mas não toque nela. Capisci? — O olhar inquisidor parou sobre o consiglieri.
— Sì, capisco — Resignado, o homem mais baixo deu um passo atrás.
Antes que o marido a abandonasse à própria sorte, ela levantou e passou a mão, puxando o tecido para ajustar o vestido vermelho.
— Kevin… — Justine chamou outra vez.
Era tarde demais. O senhor Harrison não estava disposto a lhe dar outra chance. A fisionomia inescrutável misturou-se ao clima mórbido daquele local com cheiro de mofo. A traição o deixou ainda mais frio e rancoroso.
Por meia hora, o choro angustiado de Justine ecoou pelo quarto.
— Puttana! — A voz de Alessandro estava cheia de desprezo quando xingou. — Some logo daqui antes que o chefe volte e mude de ideia.
Exausta, a jovem grávida se levantou diante das zombarias dos funcionários que antes obedeciam às suas ordens. Sem saber o que fazer, Justine passou a mão no rosto para secar as lágrimas enquanto cambaleava, procurando uma saída daquele lugar.
“A minha mãe tinha razão” Mentalmente, ela se lamentava enquanto dava passos lentos pelo corredor mal iluminado. “Ele nunca vai me perdoar”
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Sem ter para onde ir, Justine foi até uma estação de metrô. Ela só usava a roupa do corpo e trazia a bolsa com os documentos quando chegou a uma suntuosa cobertura de luxo de dois andares a poucos minutos da Piazza Gae Aulenti.
— Mamãe, deixe-me ficar aqui essa noite! — Justine pediu à mulher.
Sophia tragou o cigarro e então soltou a fumaça. Andou pela sala de estar decorada com móveis clássicos enquanto a camisola de seda resvalava por entre suas canelas.
— Ah, ma chérie, sinto muito, mas não posso. — Deixou o restante do cigarro no cinzeiro.
— É só por essa noite. Vou tentar conversar com o Kevin no dia em que for assinar os papéis do divórcio. Tenho certeza de que ele mudará de ideia.
— Sério? — Havia um certo desdém na pergunta quando Sophia ergueu uma sobrancelha bem feita. — Acho que o seu marido escolheu ficar com a amante. — Virou a tela do celular para a filha ver a imagem de Kevin numa festa ao lado de sua jovem acompanhante.
Justine não queria acreditar no que viu. Aquela mulher fingiu ser sua amiga por meses e não perdeu tempo antes de dar o bote. Na foto, Beatrice Drummond estava de mãos dadas com Kevin num evento da empresa.
— Incompetente! — Andrew gritou no momento em que entrou na sala e desferiu um tapa em sua cara, deixando Justine atordoada. — Todos estão dizendo que o seu casamento com Kevin acabou. Você é uma puttana inútil.
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