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A esposa virgem

O magnata da construção Mateus Ávila é um sedutor inveterado, mas seu pai exige que ele abandone a boemia e se case com uma mulher pura e discreta. Em um acordo de conveniência por apenas um ano, ele se une a Isabella Oliveira. No entanto, ela é o oposto do esperado: impetuosa, indelicada e dona de uma língua afiada. Sem nada em comum além do contrato, esses dois mundos colidem, testando os limites de uma união sem paixão entre opostos.
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Capítulo 3

— Ainda vou desistir de ter você como cliente. Você é impossível! —

ele diz e senta-se na cadeira em frente à minha mesa. — O bom é que vou

poder ser exorbitante na cobrança dos honorários.

— Pode adicionar quantos zeros quiser nessa conta. Dinheiro nunca

foi um problema para mim — afirmo. — Só faça de tudo para me ajudar a

sair deste furacão em que minha vida se tornou. Diga-me que encontrou as

candidatas perfeitas.

— Busquei as melhores do mercado. — Ele levanta uma sobrancelha

num tom sugestivo. — Você poderá me agradecer depois. Tenho certeza de

que, depois que as vir, não saberá escolher qual será a nova senhora Ávila.

— E sobre o passado? Todas têm ficha limpa? — pergunto, não

esquecendo a exigência mais exagerada. — E todas são virgens?

— Completamente — Victor afirma. — Contratei uma agência de

confiança e todas fizeram exames que serão apresentados antes da assinatura

do contrato. Tudo sigiloso. Não desconfie do meu trabalho, mesmo que essa

tenha sido uma das tarefas mais difíceis que você já me passou.

— Então, onde estão? — pergunto, colocando o dedo indicador na

boca e o polegar abaixo do queixo. — O que estamos esperando para

começar o processo de seleção?

— Precisei colocá-las em uma sala, antes que seu primo petulante

desse de cara com elas. Achei adequado, senti que ele poderia fazer algo para

te prejudicar, não confio em absoluto nele. Deveria manter os olhos mais

abertos para não ser pego de surpresa. Eduardo não é peça boa. Não é de hoje

que te aviso.

— Eduardo não passa de um covarde. É como aqueles cães que latem,

mas não mordem. Ele não é capaz de me atingir, é muito idiota para isso —

emito, com desdém. Meu primo nunca foi páreo para minha inteligência, e

não seria agora que perderia tempo com ele.

— Bem, então vamos começar com a entrevista em busca da noiva

perfeita. Vamos transformá-lo num homem de família. — Ele levanta-se e

deixa sua pasta de couro na cadeira. — Acho conveniente ser individual,

assim você pode conhecer melhor as particularidades de cada uma, contrapor

as informações e depois optar por aquela que mais te agradou.

— Certo. — Sou seco em minha concordância. — Traga uma a uma,

até aqui. Não esqueça que todas elas precisam assinar um termo de

confidencialidade. Isso não pode cair nas garras da mídia, em nenhuma

hipótese.

— Está tudo redigido nos conformes e com uma multa colossal para

quem ousar pelo menos insinuar ou soltar o que vai acontecer nesse

escritório.

— Muito bem. Traga a primeira.

Victor sai, enquanto fico estralando meus dedos — não por nervoso.

Essa é uma mania que tenho quando estou irritado, e me vejo em um caminho

sem saída, em uma situação que requer todo meu potencial e inteligência.

Mas nunca imaginei que esta situação seria um casamento, o meu casamento.

Não era isso que eu queria para minha vida. Nunca me vi preso em

um casamento, não que eu desacredite o amor ou tenha qualquer tipo de

trauma, na verdade, sequer tenho experiência com isso. Apenas acho essa

coisa idiota e brega demais para mim. Sou adepto da liberdade e a favor de

que um homem desfrute o máximo possível de sua jovialidade, fazendo da

sua vida o que bem entender. Mas a sociedade é muito primitiva e tenho a

porra de uma família conservadora.

Sim, eu nasci em jaulas de ouros e, pelo visto, continuarei preso, desta

vez, a uma esposa. Meu semblante fecha e penso que preciso escolher uma

mulher que veja isso apenas como um negócio. Alguém que queira receber

uma compensação generosa em dinheiro e seja capaz de sustentar esse

casamento de fachada. Uma mulher que não seja emocional demais, não sinta

ciúme e, principalmente, não invente de me amar.

Escuto uma batida e sou tirado dos meus pensamentos. A porta se

abre e me ajeito melhor na cadeira, colocando em meu rosto a expressão mais

austera que consigo. Não quero dar nenhuma chance para que alguma delas

ache que pode me levar na conversa. Hoje a escolhida terá de ser íntegra em

cada resposta. Não é só minha vida que está em jogo, é minha competência,

meu poder e meu próprio respeito.

Uma moça esbelta, loira e vestida de vermelho sangue passa pelo o

umbral. Anda temerosa em seu salto astronômico até ficar em frente à minha

mesa. Meu olhar percorrer seu corpo de cima a baixo. Seu biótipo é daquelas

modelos que passam fome e suas pernas são brancas, compridas e magras.

Sua cintura é tão fina que se ela virar de lado, pode ser comparada a uma

folha de papel. Os seios parecem duas melancias grandes, desproporcionais

demais para seu corpo franzino.

— Sente-se — rujo, não me esforço para esconder meu malgrado. —

Como se chama?

— Simone — diz, ao sentar-se, cruzando as pernas devagar, num

gesto que não me causa nada. Muito patético para o meu gosto.

— Victor, me traga o documento — peço para meu advogado, que

ainda está inerte, segurando a porta.

Ele parece acordar e vem até a sua bolsa, jogada na outra cadeira. De

dentro, retira uma certa quantidade de papéis e me entrega. Em seguida, ele

também se senta, pois eu tinha pedido para que ele me acompanhasse, já que

não tinha certeza se conseguiria sobreviver a essa droga. Então ele seria mais

como um bote salva-vidas, lembrando-me de que aquilo era o melhor a ser

feito e pedindo-me para respirar antes de insultar ou ofender qualquer uma

das mulheres que passariam por aqui.

— Simone, preciso que assine esse termo. — Coleto uma folha das

que me foram entregues. — É um termo de confidencialidade, de caráter

sigiloso, assegurando que as informações ditas nessa sala não poderão ser

divulgadas sob qualquer hipótese. Em caso de descumprimento, as ações

cabíveis e multas descritas serão aplicadas.

A mulher pega o papel, apenas passa o olho rápido pelo conteúdo,

coloca sua rubrica enfeitada no final da página e me entrega, sorrindo

— Bem, Simone. Eu preciso de uma esposa. — Vou direto ao ponto.

Certas coisas precisam ser objetivas. — E eu estou fazendo uma seleção para

achar a mulher perfeita para essa função. Gostaria que me dissesse o que a

tornar a candidata ideal. Me faça te escolher.

A Barbie ambulante abre bem os olhos e parece muito assustada. Não

é todo dia que um homem faz uma proposta dessa. Ah, a quem estou

querendo enganar? Ninguém nunca teve que se sujeitar a essa humilhação.

Sou o único fodido que estava se submetendo a isso. A mulher abre diversas

vezes a boca, mas logo se recompõe. Seus olhos agora brilham, e tenho quase

certeza de que ela deve ter me conhecido. Mais certeza tenho de que ela

conhece minha fama e fortuna.

Sou a galinha de ovos de ouro de São Paulo. O solteiro mais cobiçado

do Brasil. O homem perfeito, segundo algumas revistas. Não são coisas que

invento.

— Posso dizer que sou a mulher perfeita, pois tenho classe e

educação, então saberei me comportar nos jantares da alta sociedade. —

Ajeita o decote, deixando suas melancias ainda mais em evidência. — Sem

falar que posso agradá-lo muito no quesito sexual...

— Espere — Interrompo-a. — Quais são as suas experiências

sexuais?

— Tive um namorado que me ensinou muitas coisas. Uma delas foi

como fazer um homem ir à loucura apenas com minha...

— Saia! — brando, impossibilitando-a de continuar. — Não tem os

requisitos que procuro.

— Como? — ela pergunta, numa tentativa ridícula de parecer

amuada, mas sua cara franzida e olhos pidões só aumentam minha

impaciência.

— Eu disse para sair.

Fecho minha expressão e olho duro para a mulher. Ela é sábia,

levanta-se rápido e, dessa vez, sai quase tropeçando nos saltos.

— Mateus, respire — Victor, pede. — Você foi severo com a garota.

— Você me disse que tinha feito um trabalho inquestionável, mas a

primeira mulher que me traz já não está dentro do requisito primordial

cobrado pelo general Ávila. Sem falar que ela não me agradou em nada.

Muito vulgar e obtusa.

— Algum erro aconteceu. Vou entrar em contato com a agência assim

que terminarmos — ele responde, sério. Já sei que ele arrancará algum tipo

de multa ou processo daquela espelunca. — Posso trazer a próxima?

— Fazer o quê? — Reviro os olhos. — Pode sim.

Uma a uma, as mulheres vão entrando, assinando o termo e sendo

dispensadas por mim. Todas são muito vulgares e sem atrativos. Quando não

são assanhadas e ambiciosas, são muito tímidas e íntegras demais. Com

nenhuma delas, meu pau deu sinal de vida, parecia que ele estava no Polo

Norte. É de suma importância que a escolhida seja capaz de me excitar, pois,

se tem alguma coisa boa que isso vai me trazer, é o sexo. Se eu não tiver

tesão e desejo pela minha esposa, esse inferno poderá ficar bem pior.

— Essas eram as melhores do mercado? — pergunto para Victor que

parece tão cansado quanto eu. Não foi fácil passar duas horas ouvindo

barbaridades e o choro de algumas mulheres. — Não acredito que perdi tanto

tempo com isso.

— Sinto como se tivesse feito uma maratona em um minuto —

expressa e respira fundo. — E não quero nem imaginar que terei que buscar

outras pretendentes, mas antes eu precisarei dar um jeito para que essa

agência nunca mais abra as portas.

— Agora precisamos correr contra o tempo. — Bufo e atiro uma

caneta longe. — Papai não me deu um prazo, mas sinto que ele está prestes a

vir aqui e cobrar o cumprimento de sua sentença maldita. Ele nunca foi de

ficar muito quieto e, desde aquela fatídica noite, não apareceu mais. Então

quando ele surgir, vai ser igual a um tornado de obrigações e sermões.

— Não quero estar perto.

Não respondo, apenas enfio as duas mãos em meus fios de cabelos e

os puxos. Minha cabeça parece prestes a explodir a qualquer momento. Estou

à beira de um surto. Tinha colocado muitas expectativas e certezas no dia de

hoje e fui frustrado em todas elas.

— Porra! — urro e puxo meus cabelos mais uma vez. Fecho as mãos

em punhos e soco a mesa fazendo alguns objetos decorativos caírem e

rolarem até o chão.

Antes que eu tenha tempo de me preocupar com a organização dos

objetos caídos, meu telefone toca e atendo.

— Que seja algo importante, Sara — digo, rangendo os dentes.

— Senhor, tem uma moça que o aguarda para o processo seletivo. —

A voz firme da minha assistente, nada abalada pelo meu excesso de fúria, soa

em meus ouvidos. Sempre fico impressionado com a capacidade que ela tem

de não absorver nada, mas posso entender, afinal, alguns anos de experiência

e um salário gordo no final mês são excelentes motivadores.

— Mande-a entrar — digo, seco e bato o telefone, já prendendo os

olhos no meu amigo. — Ainda tinha mais uma pretendente?

— Não fazia ideia, mas acredito que seja uma atrasada. — Ele junta

as sobrancelhas. — Vamos atendê-la, talvez seja a noiva perfeita.

— Ou mais uma perda de tempo.

Um toque e a porta é aberta. Na frente, Sara aparece, sua expressão é

profissional e séria, e logo uma garota surge pela porta branca. Ela parece

muito pequena em comparação à minha assistente — aposto que ela não

passa dos 1,60 de altura.

A princípio, não enxergo seu rosto direito, pois ela está de cabeça

baixa e seus cabelos longos e castanho-claros impossibilitam minha visão.

Então olho com o cenho franzido para seu corpo e imagino que a menina

deve ter pegado a primeira roupa que viu, pois sua calça jeans parece

desgastada e a camisa está amassada, além de ser muito grande para ela. Nos

pés, uma simples sapatilha preta, sem detalhe algum.

Ela não parece confortável em seu lugar, pois muda o pé de apoio

várias vezes em poucos segundos. E não pareço nada satisfeito, pois tenho a

convicção de que ela me fará perder mais tempo ainda.

— Como é seu nome? — pergunto, duro.

A garota levanta sua cabeça, o queixo erguido e o peito inflado. Com

passo decididos e confiantes, se aproxima, e seu rosto angelical é a primeira

coisa que me chama a atenção. Seus olhos em um tom esverdeado ou azul,

não consigo definir, parecem duas bolas de luz, brilhantes e expressivos. A

boca em linha reta não denota nenhum resquício de felicidade, ainda mais

quando dita, firme e forte:

— Isabella. Eu me chamo Isabella Oliveira.

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