
A Esposa Que Nunca Amou
Capítulo 3
Ele não me deixaria ir. Mas estava construindo uma nova vida, uma nova família, com outra mulher. Meu estômago se revirou com uma mistura doentia de raiva e confusão. Alana era diferente. Ele realmente se importava com ela. Heitor, que sempre tratou as mulheres como descartáveis, era atencioso, até respeitoso, com Alana.
O caso de dois anos deles havia florescido, aparentemente, em algo estável, algo feliz. Ele permitia que ela se exibisse na minha frente e na de Luísa, uma provocação constante e sutil. Todas as noites, ele chegava em casa cheirando ao perfume dela, um aroma que se agarrava a ele como uma segunda pele.
Eu fingia não notar, não sentir o cheiro. Apenas suportava, esperando, desejando o dia em que ele se cansaria de mim. Ansiava que ele fosse quem pedisse o divórcio.
Por que, agora que Alana estava esperando um filho dele, ele ainda se agarrava a mim?
Lembrei-me da primeira vez que o conheci. Ele disse que me amava. Ele me perseguiu com uma determinação implacável, destruindo sistematicamente as finanças da minha família e a carreira de André, forçando-me a este casamento.
No dia em que André terminou comigo, ele chorou. Ele me disse que Heitor havia ameaçado sua família. Heitor estava lá, um sorriso vitorioso no rosto, puxando-me para seus braços.
— Você é minha, Cristal — ele sussurrou, seus olhos ardendo com um fogo possessivo. — Qualquer um que tentar te tirar de mim vai pagar o preço.
Eu vi o amor em seus olhos então, e a loucura. Se era assim que ele amava, pensei, então eu aceitaria meu destino.
Mas Alana era a exceção. Heitor a cobria de afeto, respeito e liberdade, tudo o que ele me negava. Ele só me enjaulou.
Ele parou de me amar há muito tempo. Eu tinha certeza disso.
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