
A Esposa Moribunda e a Farsa
Capítulo 3
Larissa POV:
As palavras de Tomás ecoaram em meus ouvidos: "Um ritual para a recuperação da Silvana." Meu coração, já um pedaço de carne machucada, se contraiu ainda mais. Eles queriam mais. Sempre mais.
Eu o encarei, a voz fraca e rouca. "Você... você concorda com isso, Tomás?"
Ele evitou meu olhar. "É para o bem da Silvana, Larissa. Você sabe como ela é sensível. Este gesto de sua parte fará toda a diferença."
Ele me manipulava com a mesma facilidade que Silvana manipulava a todos. Era como se eles tivessem estudado as mesmas táticas.
"Por favor, mamãe!" Lucas, os olhos arregalados, se aproximou. "A tia Silvana me disse que se você fizer isso, ela vai ficar boa e vai me ensinar a andar de bicicleta de novo!"
As palavras do meu filho, as palavras que ele havia aprendido de Silvana, me esmagavam. O meu filho, o fruto do meu ventre, estava sendo usado contra mim. Ele não sabia, claro. Ele era inocente. Mas a dor era a mesma.
Fechei os olhos. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas eu não as sentia. Eu estava vazia. Minha vida estava se esvaindo, dia após dia, gota a gota. E eles ainda queriam mais.
Eu estava morrendo. Mais alguns dias, talvez semanas, e a contagem regressiva chegaria a zero. O que restava para mim? A dignidade de uma última recusa? Ou a paz de uma última aceitação, permitindo que o meu fim fosse o palco para o início do meu plano?
Abri os olhos. Olhei para Tomás, para Lucas. Para as sombras de uma vida que eu havia construído e que agora estava em ruínas.
"Eu concordo," eu disse, a voz quase inaudível.
Tomás piscou, e um sorriso de alívio se espalhou lentamente por seu rosto. Ele não esperava que eu cedesse tão facilmente. Ele esperava uma luta, drama, lágrimas. Mas eu não tinha mais nada disso para dar.
"Excelente!" ele exclamou, e seus olhos brilharam com uma ganância mal disfarçada. Ele correu para a pasta que estava na mesa de centro, de onde tirou outro documento.
Era o contrato de divórcio, com a cláusula de renúncia a todos os bens restantes – a casa, as contas bancárias, os investimentos pessoais. Tudo para "apoiar a recuperação de Silvana".
Eu sabia. Ele já tinha tudo planejado. O "ritual" era apenas uma desculpa para me despojar de tudo.
"Mamãe, assina logo!" Lucas puxou minha mão, impaciente. "Assim a tia Silvana vai ficar feliz!"
A caneta tremeu na minha mão. Minha visão embaçou, mas não por lágrimas. Era a fraqueza, o veneno corroendo meu corpo.
Eu assinei. A tinta borrou um pouco, um testamento da minha mão trêmula.
Quando a última assinatura estava no papel, Tomás pegou os documentos, os olhos percorrendo cada linha, cada cláusula. Um sorriso largo se abriu em seu rosto.
"Agora sim," ele disse, mais para si mesmo do que para mim. "Agora podemos começar de novo."
Ele não estava falando de nós. Ele estava falando dele. Da nova vida que ele construiria sobre as ruínas da minha.
O casamento estava formalmente dissolvido. Minha identidade como Larissa Vilhena, esposa e mãe, se desfez em pó. Eu era agora apenas Larissa Medeiros, uma mulher sozinha, sem nada, esperando pela morte.
Mas não sem um plano.
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