
A Esposa Indesejada do Rei da Máfia Brilha
Capítulo 2
POV Elena
Passei os três dias seguintes fazendo as malas, movendo-me com uma eficiência fria e mecânica.
Não embalei tudo.
Levei apenas as roupas que comprei com meu próprio dinheiro, meus cadernos de desenho e as poucas joias que minha mãe me deixou antes de pular da varanda.
Todo o resto ficou.
Deixei os colares de diamantes que Dante me deu como pedidos de desculpas por seus casos. Eram coisas lindas e pesadas, sobrecarregadas de mentiras.
Deixei os vestidos de alta costura que ele gostava de me ver usar em galas.
Mudei minhas coisas para o quarto de hóspedes na extremidade da Ala Leste.
Dante não me impediu.
Ele não voltou para casa por três noites.
Eu sabia onde ele estava.
Ele estava com ela.
Sofia Rossi.
O domingo chegou, trazendo consigo o pesado temor da obrigação.
O Jantar de Família obrigatório na mansão principal dos Vitiello.
A presença não era opcional.
Vesti um vestido preto simples, com gola alta e mangas compridas. Diante do espelho, o reflexo que me encarava não era de uma esposa.
Eu parecia uma viúva.
Quando cheguei à mansão, a entrada estava cheia de SUVs blindados, brilhando como besouros negros sob o sol da tarde.
Entrei no salão principal.
O ar estava denso, pesado com o cheiro enjoativo de charutos e carne assada. Cheirava a excesso. A poder.
Meu pai estava lá, o Chefe dos Greco, bebendo com os tios de Dante.
Ele me viu e zombou, seu lábio se curvando em desgosto.
"Onde está seu marido?" ele perguntou. "Uma esposa deve chegar com seu marido."
"Pergunte a ele", eu disse, minha voz desprovida de emoção enquanto passava por ele.
Entrei na sala de jantar.
Dante já estava lá.
Ele estava sentado na cabeceira da mesa, um rei sombrio em seu trono.
Sofia estava ao lado dele, a mão dela descansando casualmente em seu ombro.
Ela usava um vestido vermelho que era muito justo e decotado para um jantar de família. Era um grito por atenção em uma sala cheia de sussurros.
Ela parecia vibrante, viva e vitoriosa.
Ela era filha de um associado de baixo escalão, mas esta noite desfilava como a Rainha.
"Elena!" Sofia cantou quando me viu, sua voz doce como sacarina. "Estávamos nos perguntando se você ia aparecer. Dante disse que você estava se sentindo... instável."
A mesa ficou em silêncio.
Os Chefes, os soldados, as esposas — todos olharam para mim.
Alguns com pena, a maioria com desprezo.
Dante não olhou para mim. Ele simplesmente tomou um gole de seu vinho, seu perfil esculpido em pedra.
"Estou bem", eu disse.
Sentei-me na outra ponta da mesa, o mais longe possível de Dante.
O jantar foi uma sessão de tortura.
Sofia ria alto das piadas de Dante.
Ela cortava a carne para ele.
Ela sussurrava em seu ouvido, a mão dela demorando em seu pescoço.
Na minha vida passada, eu teria feito uma cena.
Teria jogado minha taça de vinho.
Teria chorado e exigido que Dante me respeitasse.
Era o que eles esperavam.
A "Princesinha Mimada".
Mas eu apenas comi minha sopa.
Concentrei-me na textura do pão.
Concentrei-me no plano que se formava em minha cabeça.
Paris.
Eu só precisava chegar a Paris.
Quando os homens foram para a sala de fumo e as mulheres para o salão, eu escapei.
Caminhei pelo corredor silencioso até a Capela da Família.
Era o único lugar nesta casa que parecia sagrado.
Era onde as cinzas do Velho Don eram mantidas em uma urna de jade no altar.
Ele foi o avô que forçou este casamento, sim, mas também foi o único que já me disse que eu tinha talento.
Ajoelhei-me diante do altar.
Peguei meu rosário.
Era de jade, combinando com a urna.
"Sinto muito, Avô", sussurrei. "Não posso mais manter sua promessa."
Coloquei o rosário em cima da urna.
A pesada porta de carvalho rangeu atrás de mim.
Eu não me virei.
O clique agudo dos saltos no chão de pedra me disse quem era.
"Rezando por um milagre?" A voz de Sofia ecoou no pequeno espaço.
Levantei-me e me virei para encará-la.
"Saia, Sofia."
"Esta é minha capela agora", disse ela, aproximando-se. "Ou será em breve. Dante me prometeu."
"Ele prometeu muitas coisas", eu disse.
"Ele te odeia", ela cuspiu, sua máscara escorregando para revelar o ciúme feio por baixo. "Você sabe disso, certo? Ele te chama de algema. Um fardo."
"Eu sei", eu disse calmamente.
Minha falta de reação a enfureceu.
Ela queria a briga.
Ela queria o drama que poderia usar para chorar no peito de Dante mais tarde.
Ela subiu até o altar.
"Você não merece estar aqui", disse ela. "Você não merece carregar o nome Vitiello."
Ela estendeu a mão e agarrou a urna de jade.
"Não toque nisso", avisei, minha voz baixando uma oitava.
"Ops", disse ela.
Ela sorriu, uma coisa cruel e distorcida.
E então ela jogou a urna no chão de pedra.
O som foi doentio — um estalo agudo seguido pelo estilhaçar oco da cerâmica.
Jade se quebrou.
Cinzas cinzentas explodiram no ar, cobrindo o chão imaculado, o altar e a barra do meu vestido.
Os restos do homem que construiu este império foram reduzidos a pó sob seus saltos.
Olhei para a bagunça, congelada de horror.
Sofia não parecia horrorizada.
Ela parecia animada.
Com um brilho maníaco nos olhos, ela estendeu a mão e rasgou a alça de seu próprio vestido.
Suas unhas cravaram em sua pele enquanto ela arranhava o próprio peito, tirando sangue vermelho vivo.
Então ela abriu a boca e gritou.
"Socorro! Dante! Me ajude!"
Ela se jogou no chão, rolando nas cinzas.
"Ela está louca! Ela está destruindo tudo!"
As portas se escancararam.
Dante foi o primeiro a entrar.
Ele viu a urna quebrada.
Ele viu as cinzas.
Ele viu Sofia chorando no chão, agarrando seu vestido rasgado.
E ele me viu, de pé sobre eles, silenciosa e imóvel.
O rosto de Dante ficou pálido, depois vermelho.
A veia em sua testa pulsava violentamente.
"Elena", ele rugiu.
Sua voz sacudiu os vitrais.
Não era uma pergunta.
Era um veredito.
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