
A Esposa Fugitiva: Nunca te Perdoarei
Capítulo 3
Eu os vi no noticiário três dias depois.
Dante estava exibindo Sofia no Theatro Municipal.
Ela usava os diamantes dos Vitiello, brilhando frios e afiados contra sua pele.
A imprensa já a havia batizado de a nova Primeira-Dama do submundo.
Diziam que Dante Vitiello finalmente encontrou uma mulher digna de seu fogo.
Eu estava sentada no quarto de hospital de Luca, observando o subir e descer constante de seu peito.
Ele ainda estava em silêncio, ainda dormindo.
— Nós vamos embora, Luca — sussurrei para ele, minha mão sobre a dele.
Eu já havia subornado um contato no departamento de identificação.
Nossos nomes estavam sendo apagados do banco de dados pouco a pouco.
Seríamos fantasmas até o final da semana.
Voltei para a Mansão da Colina uma última vez.
Era a casa que Dante me deu como presente de casamento.
Eu a vendi naquela manhã para uma empresa de fachada e transferi os ativos líquidos de volta para as contas dos Vitiello.
Eu não queria nada dele.
Juntei as fotos de nós.
As do Capão Redondo.
As em que ele realmente sorria.
Joguei-as na lareira e risquei um fósforo.
Observei nossas memórias se enrolarem em cinzas negras e desaparecerem pela chaminé.
De repente, a porta da frente se abriu com um estrondo.
Dante entrou, com Sofia seguindo-o presunçosamente.
— O que você está fazendo aqui? — ele exigiu, sua voz vibrando pelas paredes.
— Limpando a bagunça — eu disse, calmamente.
Sofia viu a caixa de joias na mesa.
Estava aberta.
Dentro, repousava o Bracelete Herança dos Vitiello.
Era inestimável.
— Isso pertence à família — disse Sofia.
Ela se lançou para pegá-lo.
Agarrou-o e, com um movimento desajeitado e teatral, bateu-o contra o mármore da lareira.
As esmeraldas se estilhaçaram pela pedra.
Ela gritou e se jogou pelos três degraus que davam para a sala de estar rebaixada.
— Meu tornozelo! — ela gemeu, agarrando a perna. — Ela me empurrou!
Dante olhou para o bracelete quebrado.
Olhou para Sofia soluçando no chão.
Ele não olhou para as câmeras de segurança que teriam provado minha inocência.
Ele olhou para mim.
— Você quebra o que é meu, eu quebro você — disse ele, seus olhos desprovidos de misericórdia.
— Capanga — ele chamou.
O homem gigante entrou das sombras.
— O Chicote — Dante ordenou.
Meu sangue gelou.
— Dante, não — sussurrei.
Ele se virou para confortar Sofia.
O capanga agarrou meus pulsos.
Ele os amarrou ao corrimão alto, de modo que meus pés mal tocavam o chão.
Mordi o lábio até sentir o gosto de cobre.
O chicote atingiu minhas costas.
Um.
Dois.
Três.
Eu não gritei.
Não lhe daria essa satisfação.
Meu sangue manchou o piso de carvalho branco.
Dante não se virou.
Ele segurou a mão de Sofia enquanto sua esposa sangrava no chão da casa que ele construiu para ela.
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