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A Esposa Fugitiva: Nunca te Perdoarei

Dante, o temido Príncipe do submundo, destruiu minha vida. Para salvar meu irmão, confessei um crime falso, mas o preço foi perder nosso filho sob a chuva fria. Enquanto eu sangrava, ele consolou sua amante e ignorou meu luto. Dante não sabe que meu irmão morreu e que agora não tenho mais nada. No nosso aniversário, deixo os papéis do divórcio e sumo nas sombras. Ele tentará o perdão, mas agora sou apenas o fantasma de uma mulher que nunca mais voltará.
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Capítulo 1

Meu marido, o Príncipe Louco do submundo, uma vez incendiou um quarteirão inteiro só porque um rival olhou para mim de um jeito torto.

Agora, ele me força a ajoelhar na garoa gelada de São Paulo, vestindo nada além de uma fina camisola de seda.

Em sua mão, ele segura um tablet que controla os aparelhos que mantêm meu irmão em coma vivo, ameaçando matá-lo a menos que eu confesse ter maltratado sua nova amante.

Para salvar meu irmão, engulo meu orgulho e confesso um crime que não cometi.

Mas o estresse é demais.

Eu perco nosso filho ali mesmo, manchando a neve branca e pura com um vermelho carmesim.

Dante nem pisca.

Ele passa por cima do meu corpo sangrando para consolar sua amante chorosa, me deixando para gritar sozinha por nosso bebê perdido.

Ele acha que me ensinou uma lição.

Ele me força a pedir desculpas à mulher que zombou de mim, mesmo enquanto meus pontos se rompem.

Ele não sabe que, enquanto guardava a porta para impedir a entrada dos médicos, meu irmão realmente morreu.

Ele não sabe que enterrei a única família que me restava em uma vala comum enquanto ele dormia com a mulher que me incriminou.

Em nosso décimo aniversário, ele enche a casa de lírios, esperando uma reconciliação.

Em vez disso, deixo os papéis do divórcio assinados na cama, pego um punhado de terra do túmulo e desapareço na noite.

Quando ele perceber a verdade, serei um fantasma que ele nunca mais poderá tocar.

Capítulo 1

Meu marido — o homem que uma vez incendiou um quarteirão inteiro simplesmente porque um rival olhou para mim de um jeito torto — era agora quem me forçava a ajoelhar na garoa congelante, vestida apenas com minha camisola de seda.

O inverno paulistano castigava minha pele.

Meus joelhos estavam dormentes, enterrados na fina camada branca que cobria o pátio da mansão Vitiello, mas eu não tremia.

Eu não ousava tremer.

Dante Vitiello estava de pé sobre mim.

Ele era o Don da Família Vitiello, conhecido no submundo como o Príncipe Louco por um bom motivo.

Ele usava um casaco de lã que valia mais que a casa onde cresci, parecendo em cada detalhe o ceifador que o mundo temia.

Ele segurava um tablet na mão enluvada.

A tela brilhava, lançando uma luz azul fantasmagórica em sua mandíbula afiada e cruel.

Na tela, havia uma transmissão ao vivo de um quarto de hospital.

Meu irmão, Luca, estava deitado ali, o silvo rítmico do ventilador respirando por ele.

A mão de um soldado pairava sobre o cabo de energia dos aparelhos de Luca.

— Me diga a verdade, Elena — disse Dante.

Sua voz era um rosnado baixo, desprovido do calor que costumava fazer meu sangue cantar.

— Você ameaçou a Sofia?

Eu olhei para ele.

Dez anos atrás, eu salvei sua vida em um beco, lutando como os pivetes com quem eu andava no Capão Redondo.

Ele me acolheu.

Ele me moldou.

Ele me coroou sua Rainha.

Agora, ele me olhava como se eu fosse algo em que ele tivesse pisado.

— Eu não toquei nela — sussurrei, meus dentes batendo contra a minha vontade.

Dante tocou na tela.

O soldado no vídeo agarrou a tomada.

— Não vou perguntar de novo — disse Dante.

Ele checou o relógio.

— Luca tem cerca de três minutos de oxigênio residual se essa tomada for puxada.

— Por favor, Dante — implorei, meu orgulho se estilhaçando.

Tentei alcançar sua perna, mas ele recuou como se eu fosse uma doença.

— Não me toque — ele cuspiu.

— Confesse.

Pensei em Sofia.

A mulher que ele trouxe para nossa casa.

A mulher que zombou das minhas origens humildes no leilão da semana passada.

A mulher que alegou que eu a empurrei, quando ela tropeçou em sua própria vaidade.

Mas a verdade não importava mais para Dante.

Apenas ela importava.

E Luca ia morrer por causa do meu orgulho.

— Fui eu — menti, as palavras com gosto de cinzas e bile.

— Eu a maltratei. Eu a ameacei. Eu queria que ela sumisse.

Dante fez um sinal para a câmera.

O soldado se afastou da tomada.

Dante olhou para mim com puro nojo.

— Você é uma decepção, Elena — disse ele.

E então, a realidade se partiu.

Uma cãibra aguda e cortante rasgou meu baixo-ventre.

Era uma dor diferente de tudo que eu já senti.

Eu arquejei, agarrando meu estômago.

Um calor súbito e doentio inundou minhas pernas, manchando a neve imaculada com um carmesim horripilante.

— Dante — engasguei.

Ele olhou para o sangue.

Sua expressão não mudou.

Ele me deu as costas.

— Tirem-na da minha frente — ordenou aos seus guardas.

— Trancem-na no Quarto da Penitência.

— Dante, por favor, o bebê! — gritei, estendendo a mão para ele.

Ele parou.

Olhou por cima do ombro, seus olhos mortos.

— O que quer que esteja acontecendo, você mesma provocou.

Ele se afastou em direção ao calor da casa onde sua amante esperava.

Os guardas me arrastaram para cima.

Gritei seu nome até minha garganta sangrar, mas o Príncipe Louco não olhou para trás.

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