
A Esposa Falsa do CEO Gay
Capítulo 3
O dia do casamento de mentira chegou com uma mistura de expectativa e estresse que Oliver não conseguia ignorar. Embora tivesse participado de cada detalhe do evento - desde a escolha do local até as cores da decoração -, o peso da situação se tornava mais real à medida que a hora se aproximava. Sua vida, sua imagem pública, tudo estava prestes a ser definido por essa farsa, e ele não conseguia se livrar da sensação de ser um impostor.
A mansão onde aconteceria a cerimônia era a mesma que Oliver já tinha visto incontáveis vezes em revistas de luxo. Um edifício imponente nos arredores da cidade, com jardins meticulosamente cuidados e uma arquitetura que exalava uma riqueza quase inalcançável. De certo modo, parecia ironicamente apropriado que seu casamento - mesmo falso - acontecesse ali. Ele estava num lugar que representava o auge do sucesso, mas sentia que tudo o que estava construindo em cima disso era vazio.
Na noite anterior, Julia apareceu em seu apartamento com um vestido longo e elegante nas mãos, que se abria como um tecido de seda dourada, enquanto lhe contava sobre as últimas confirmações dos convidados e o plano para tornar tudo "real". Embora a ideia do casamento falso soasse como loucura, Julia tinha conseguido, com sua habilidade afiada para manipular aparências, convencer Oliver de que seria mais simples do que parecia. Só precisavam interpretar seus papéis por alguns meses. Depois disso, a verdade ficaria enterrada, e ambos seguiriam com suas vidas como se nada tivesse acontecido.
O casamento foi transmitido ao vivo pelos meios de comunicação e se tornou um evento importante tanto para a família Montenegro quanto para a elite da sociedade na qual Oliver circulava. Mas, à medida que os jornalistas e câmeras se aglomeravam ao redor deles, a sensação de estar preso numa mentira começava a apertar o peito.
Julia chegou ao altar antes dele, uma visão deslumbrante em seu vestido branco impecável, com um sorriso ensaiado demais para parecer verdadeiro. Oliver não pôde deixar de notar como ela se movia suavemente, como seus olhos brilhavam sob a luz intensa da igreja. Julia havia dito que fingiriam estar apaixonados, mas ele se perguntava se, em algum momento, algo nela poderia ser mais do que atuação. Seria possível que os sentimentos se confundissem em meio a esse caos?
Enquanto Oliver caminhava em direção ao altar, com seu terno preto perfeitamente ajustado e expressão serena, pensou por um instante no absurdo daquilo tudo. A beleza de Julia, a decoração luxuosa, os sorrisos impecáveis dos convidados... tudo parecia saído de um conto de fadas - exceto pelo fato de que ele sabia que era uma mentira bem encenada.
No altar, os olhos dos dois se encontraram. Julia, com um sorriso calculado, o encarava, esperando que tudo saísse conforme o plano. Ele, porém, olhava além disso. O que faria se algo mudasse dentro dele? E se se apaixonasse pela pessoa errada?
- Você aceita Julia como sua esposa? - perguntou o sacerdote, com uma voz grave que ecoou na sala silenciosa.
Oliver abriu a boca para responder, e naquele instante, a pressão o esmagou. O que significava "aceitar" Julia? Ele estava aceitando um contrato, uma encenação, mas por alguma razão, o termo "esposa" lhe parecia mais sério do que deveria. Fechou os olhos por um segundo, lembrando-se de que não havia volta. Precisava fazer isso direito.
- Sim - respondeu finalmente, sua voz ressoando com a firmeza de um homem que, mesmo não acreditando no que fazia, sabia que não podia recuar.
A cerimônia continuou conforme o planejado, entre sorrisos forçados e olhares cúmplices. Quando o sacerdote os declarou marido e mulher, os aplausos estouraram na igreja, e as câmeras fizeram seu trabalho, captando cada gesto, cada palavra, como se fosse a história de um conto de fadas moderno.
A primeira mentira estava concluída. Agora viria a parte difícil.
Após a cerimônia, a festa prosseguiu com uma recepção luxuosa e carregada de expectativas. Oliver se viu cercado de amigos, familiares e colegas da alta sociedade, todos o parabenizando pela nova "esposa". Julia, radiante em seu vestido, agia como a esposa perfeita, mas Oliver notava que, por trás do sorriso impecável, havia algo que ele não conseguia identificar. Julia tinha sido sua amiga por anos, mas agora, nesse novo jogo, havia uma barreira invisível entre eles.
- Estou cansada - disse Julia ao ouvido de Oliver, enquanto se afastavam da pista de dança, depois de algumas horas sendo o centro das atenções. - Você tem noção do que estamos fazendo? Isso não é normal.
Oliver a olhou, surpreso e, ao mesmo tempo, aliviado. Por um instante, parecia que finalmente estavam compartilhando o peso da farsa.
- Eu sei. Isso não é o que imaginei. Mas... e se der errado, Julia? E se alguém perceber que tudo isso é uma encenação?
Julia o encarou, entendendo a preocupação em sua voz.
- Não vai dar errado. Enquanto estivermos juntos, agindo como um casal apaixonado, ninguém vai suspeitar. Tudo faz parte do espetáculo. Planejamos cada detalhe para parecer perfeito.
Mas Oliver não estava tão certo assim. Algo dentro dele - algo que não conseguia nomear - dizia que havia mais nessa história do que ele conseguia enxergar. E se, no fim, essa mentira não afetasse apenas sua imagem, mas algo muito mais profundo em sua vida? Perguntava-se se estava brincando com fogo, se conseguiria continuar nesse caminho sem que seus próprios sentimentos, reprimidos por tanto tempo, começassem a vir à tona.
Naquela noite, enquanto Julia dormia tranquilamente no quarto da mansão, Oliver ficou olhando para o teto no escuro. Estava preso a um casamento de fachada, mas algo dentro dele dizia que não poderia continuar assim sem encarar o que começava a sentir. O plano tinha começado, sim, mas ele não tinha certeza de por quanto tempo mais conseguiria fingir que tudo era só um jogo.
Porque, em algum lugar dentro dele, algo já havia começado a mudar.
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