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Capa do romance A Esposa Descartada: A Herdeira Bilionária Secreta

A Esposa Descartada: A Herdeira Bilionária Secreta

Por três anos, ocultei ser herdeira de Wall Street para ser a esposa ideal de Evertt. No meu aniversário, ele exigiu o divórcio, oferecendo cinco milhões para me descartar por sua amante. Humilhada pelo homem que amei, destruí o cheque e assinei o papel com meu verdadeiro e poderoso sobrenome. Chamei meu irmão bilionário e encerrei o disfarce. Agora, Evertt descobrirá que a mulher que ele menosprezou controla o destino financeiro de toda a sua empresa.
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Capítulo 2

A chuva em Nova York não limpava as coisas; apenas deixava a sujeira mais escorregadia. Kiley saiu pelas portas do saguão do prédio, arrastando uma única mala de couro vintage atrás de si. Era pequena. Continha apenas as roupas que ela havia comprado com seu próprio dinheiro antes do casamento e os poucos itens pessoais que realmente importavam.

Ela parou sob o toldo, respirando fundo para se acalmar. A garota trêmula que ligara para o irmão na noite anterior havia desaparecido, guardada nos recessos mais profundos de sua mente. Em seu lugar, estava uma mulher que se lembrava de quem era antes de se tornar uma Baker. Ela endireitou a coluna, sua expressão se tornando uma máscara de indiferença de porcelana.

O porteiro, um homem gentil chamado Henry que sempre lhe dava guarda-chuvas extras, deu um passo à frente. "Sra. Baker, deixe-me chamar um táxi para a senhora. Está caindo um temporal lá fora."

Kiley lhe ofereceu um sorriso fraco e triste. "Obrigada, Henry. Mas eu já tenho uma carona. E... agora é só Kiley."

Ela passou por ele, saindo de debaixo do toldo e entrando no dilúvio. A chuva encharcou seu casaco instantaneamente, gelando-a até os ossos, mas ela não se importou. Precisava sentir algo além da dormência.

Um carro preto e elegante saiu da entrada da garagem subterrânea. Kiley reconheceu o ronronar do motor antes de ver o emblema. Era o Maybach de Evertt.

O carro diminuiu a velocidade ao se aproximar do meio-fio onde ela estava. A janela fumê do lado do motorista desceu até a metade. Evertt estava sentado ali, seu perfil nítido contra as luzes do painel.

Ao lado dele, no banco do passageiro — o lugar dela — estava Adda. Ela apoiava a cabeça no ombro de Evertt, seu cabelo loiro perfeitamente penteado apesar da umidade. Ela olhou pela janela para Kiley, seus olhos azuis arregalados em falsa compaixão, mas o canto de sua boca se contraiu para cima.

Evertt olhou para Kiley parada na chuva. Por um segundo, sua testa se franziu. Ele olhou para a pequena mala. Olhou para o cabelo molhado dela, colado em suas bochechas. Um lampejo de algo — culpa, talvez, ou apenas irritação — cruzou seu rosto.

"Você precisa de dinheiro para o metrô?", ele gritou por cima do som da chuva. "Eu posso..."

Antes que ele pudesse terminar a frase, a escuridão da rua foi cortada por dois feixes ofuscantes de luz de xenônio.

Um veículo virou a esquina, movendo-se com a graça silenciosa e predatória de um tubarão em águas profundas. Não era um táxi. Não era um Uber. Era um Rolls-Royce Phantom, pintado em um tom duplo personalizado de azul-meia-noite e prata. Era um carro que custava mais do que todo o apartamento de cobertura que Kiley acabara de deixar.

Evertt parou de falar. Ele encarou o carro. Ele conhecia carros. Reconheceu a elegância discreta do veículo, do tipo geralmente reservado para executivos de alto escalão de conglomerados multinacionais. Era um carro de frota, provavelmente pertencente a uma holding, a julgar pelas placas discretas e não personalizadas.

O Rolls-Royce parou suavemente bem na frente de Kiley, bloqueando a visão de Evertt.

A porta do motorista se abriu. Um homem de uniforme sob medida saiu, ignorando a chuva, e abriu um enorme guarda-chuva preto com um estalo. Ele se moveu com precisão militar em direção à porta traseira.

Mas a porta traseira se abriu por dentro antes que o motorista pudesse alcançá-la.

Uma perna longa saiu, vestida com calças escuras e sapatos de couro italiano que custavam uma fortuna. Bradley Stafford emergiu do carro. Ele era alto, com mais de um metro e oitenta e oito, irradiando uma aura de poder absoluto e aterrorizante. Seu rosto, frequentemente visto na capa da Forbes e do The Wall Street Journal, estava moldado em uma máscara de fúria fria.

As mãos de Evertt se apertaram no volante de seu Maybach. "Aquele é Bradley Stafford", ele sussurrou, a incredulidade colorindo seu tom. "O que diabos ele está fazendo aqui?"

"Stafford?", Adda se animou, seus olhos se estreitando. "O bilionário? Por que ele está parando para ela?"

Bradley ignorou o Maybach. Ignorou o porteiro. Ignorou o mundo. Seus olhos estavam fixos em Kiley.

Ele caminhou em direção a ela, a chuva batendo em seus ombros. Não disse uma palavra. Estendeu a mão e pegou a alça da mala da mão dela, passando-a sem esforço para seu motorista sem desviar o contato visual.

Então, Bradley Stafford, o homem conhecido como o "Iceman of Wall Street", tirou o paletó de seu terno feito sob medida. Ele o colocou sobre os ombros encharcados de Kiley. Puxou as lapelas, aconchegando-a como se ela fosse uma boneca preciosa e frágil.

Kiley olhou para ele. Seu lábio tremeu. "Bradley..."

"Eu cuido de você", disse ele, com a voz baixa e retumbante. "Você está segura."

Ele se inclinou e beijou sua testa. Foi um gesto terno e protetor, que durou um segundo a mais do que o normal para um conhecido casual.

Do Maybach, Evertt assistiu ao beijo. Os nós de seus dedos ficaram brancos enquanto ele agarrava o volante de couro. Um sentimento quente e feio surgiu em seu estômago. Parecia ácido.

"Ela... ela o conhece?", gaguejou Evertt.

Adda soltou uma risada pequena e cruel. "Ah, Evertt. Não seja ingênuo. Olhe para eles. Aquilo não é um amigo. Ela vem planejando isso. Provavelmente garantiu seu próximo 'patrocinador' meses atrás. É por isso que ela assinou os papéis tão facilmente. Ele provavelmente está mandando um carro da empresa para buscar seu novo brinquedinho."

A lógica se encaixou na mente de Evertt. Era a única explicação que fazia sentido. Kiley, a garota do trailer park, a zé-ninguém, de alguma forma seduzira um dos homens mais poderosos da East Coast. Ela era uma interesseira. Ele estivera certo o tempo todo.

"Ela é nojenta", sibilou Evertt. "Foi um alívio me livrar dela."

Bradley guiou Kiley em direção à porta aberta do Rolls-Royce. Antes de entrar, ele parou. Virou a cabeça lentamente, olhando diretamente para o Maybach.

Mesmo através da chuva e do vidro fumê, Evertt sentiu o peso daquele olhar. Era um olhar de ameaça pura e genuína. Era uma promessa de violência.

Bradley entrou. A porta pesada fechou com um baque surdo, selando Kiley em um mundo de luxo ao qual Evertt só podia sonhar em ter acesso. O Rolls-Royce partiu, suas luzes traseiras desaparecendo na penumbra enevoada da noite de Nova York.

Evertt ficou sentado por um momento, com o motor em marcha lenta. Ele olhou para o relógio do painel.

24 de outubro.

Seu coração falhou uma batida. Hoje era o aniversário de Kiley.

Por três anos, ela havia feito um bolo para ele em seu aniversário. Havia comprado presentes atenciosos com sua mesada miserável. E hoje, no aniversário dela, ele lhe entregara os papéis do divórcio.

Uma pontada estranha e oca atingiu seu peito, mas ele a empurrou para o fundo, enterrando-a sob camadas de raiva justificada. Ela estava com Stafford agora. Era problema de outra pessoa.

"Evertt, querido", choramingou Adda, agarrando o estômago teatralmente. "Minha barriga está doendo de novo. O estresse faz mal para... você sabe."

Evertt balançou a cabeça, limpando a imagem de Kiley na chuva. Ele engatou a marcha. "Estou te levando para casa, Adda. Não se preocupe. Ela se foi."

Mas enquanto ele dirigia, a imagem do Rolls-Royce queimava em sua mente, alimentando uma narrativa amarga de traição que era muito mais fácil de engolir do que a verdade.

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