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Capa do romance A Escolha Que Mudou Minha Vida

A Escolha Que Mudou Minha Vida

Traída e afogada por Pedro após dez anos de dedicação, Beatriz desperta milagrosamente no passado, no dia de seu noivado. Diante do homem que a matou e do desprezo de seu enteado, ela decide mudar seu destino. Em vez de escolher Pedro por status, Beatriz sorteia seu futuro e o nome de João, um engenheiro militar marcado pela guerra, surge três vezes. Ignorando a arrogância do ex-marido, ela assume o novo compromisso disposta a iniciar sua vingança.
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Capítulo 2

A água gelada encheu meus pulmões, uma pressão esmagadora no meu peito. A última coisa que vi foram os olhos frios de Pedro, o homem que eu amei por dez anos. Ao lado dele, seu filho, fruto de seu casamento com outro, me olhava com um desprezo que imitava o do pai.

"Se você não tivesse usado a autoridade do seu avô para me pressionar naquela época, como eu teria me casado com você?" A voz de Pedro era como gelo, cada palavra uma facada. "No meu coração, Ricardo sempre foi meu verdadeiro amor."

Ele jogou os papéis do divórcio no meu rosto. As folhas de papel ficaram encharcadas na água da piscina, assim como minhas esperanças.

Atordoada, senti um empurrão forte nas minhas costas. Foi o filho dele. Perdi o equilíbrio e caí na piscina. Lutei, tentei gritar, mas a água invadiu minha boca, silenciando meu desespero. Minha vida inteira passou diante dos meus olhos, uma sucessão de esperas inúteis e um amor não correspondido. Eu morri assim, afogada em humilhação e tristeza, longe da minha casa, traída por todos.

Uma lufada de ar.

Abri os olhos de repente, ofegante, o coração batendo descontroladamente.

Eu não estava na água. Estava no meu quarto, na mansão do meu avô. A luz do sol entrava pela janela, aquecendo meu rosto. O cheiro familiar de livros antigos e jasmim do jardim me envolveu.

Olhei para minhas mãos. Eram as mãos de uma jovem, sem as marcas do sofrimento.

Uma voz gentil e preocupada me chamou. "Beatriz, minha querida, você está bem? Você ficou pálida de repente."

Virei a cabeça. Meu avô estava sentado ao meu lado, seus olhos cheios de amor e preocupação. Ele estava vivo. Seu cabelo grisalho, as rugas de expressão em seu rosto, tudo era real.

Lágrimas brotaram dos meus olhos e eu o abracei com força, soluçando em seu ombro. "Vovô..."

Ele me afagou as costas, confuso, mas reconfortante. "Calma, calma, minha neta. O que aconteceu?"

Eu não podia explicar. Como eu poderia dizer que tinha vivido uma vida inteira de dor e retornado da morte?

Olhei ao redor da sala. Sobre a grande mesa de mogno, estavam dispostos vários retratos. Eram os retratos de todos os homens elegíveis da cidade. Reconheci o rosto de Pedro, o príncipe herdeiro, sorrindo com um charme falso que agora me causava náuseas.

Era hoje. O dia em que eu deveria escolher um marido.

Na minha vida passada, após a morte do meu avô, eu, sem hesitar, escolhi o retrato de Pedro. Achei que era a escolha mais lógica, a mais prestigiosa. Foi o maior erro da minha vida.

Desta vez, eu não cometeria o mesmo erro.

"Vovô," eu disse, minha voz ainda trêmula, mas firme. "Eu não quero escolher assim."

Meu avô me olhou, surpreso. "Como assim, Beatriz? É a tradição. Você precisa de um companheiro, alguém para cuidar de você."

Seu olhar era de pura preocupação. Ele só queria o meu bem, mesmo que suas ideias fossem antiquadas.

"Eu sei, vovô. Mas não quero escolher por rosto ou por título. Quero que o destino decida."

"Destino?", ele repetiu, a testa franzida.

"Sim. Vamos escrever o nome de todos eles em pedaços de papel e colocar em uma caixa. Eu vou tirar um, às cegas. Será o meu marido."

Os criados na sala engasgaram. Meu avô parecia chocado com a minha proposta. Era um método pouco ortodoxo, quase frívolo para uma decisão tão importante.

"Beatriz, isso é loucura. Sua vida inteira está em jogo", ele argumentou.

"É a minha vida, vovô. E é assim que eu quero decidir", insisti, olhando nos olhos dele. Ele viu uma determinação que nunca tinha visto em mim antes. Depois de um longo momento de silêncio, ele suspirou e cedeu.

"Faça como quiser, minha querida."

Um criado trouxe uma caixa de veludo e pequenos pedaços de pergaminho. Um por um, os nomes dos homens nos retratos foram escritos e dobrados. O nome de Pedro estava entre eles. Meu coração gelou por um instante, o medo de que o destino fosse cruel e o escolhesse novamente.

Respirei fundo e enfiei a mão na caixa. Meus dedos tocaram os papéis dobrados. Fechei os olhos e peguei um.

Entreguei ao meu avô. Ele o desdobrou lentamente. Seus olhos se arregalaram um pouco.

"Quem é, vovô?", perguntei.

Ele hesitou. "João. O engenheiro-chefe militar."

Um murmúrio percorreu a sala. João. Todos o conheciam, ou melhor, conheciam sua reputação. Um gênio da engenharia, mas um homem que ficou aleijado após um acidente em uma expedição militar. Diziam que ele era recluso, amargurado e vivia isolado. Um homem quebrado.

"Vovô, o destino escolheu", eu disse com calma.

"Beatriz", meu avô disse, sua voz tensa. "Isso é só uma brincadeira. Você não pode se casar com ele. Ele... ele não poderá te fazer feliz. Escolha de novo."

"O destino não é uma brincadeira", respondi. "Mas, se te deixa mais tranquilo, eu sortearei de novo. Se o nome for diferente, eu repenso. Se for o mesmo, é um sinal."

Meu avô concordou, parecendo aliviado. Ele acreditava que as chances de tirar o mesmo nome duas vezes eram mínimas.

Coloquei o papel de volta e misturei os outros. Enfiei a mão na caixa novamente, o coração na boca. Peguei outro papel.

Desdobrei-o eu mesma desta vez.

João.

O silêncio na sala era pesado. Meu avô me olhava, incrédulo.

"Só mais uma vez", eu disse, minha voz um sussurro. "A terceira vez confirma."

Pela terceira vez, mergulhei a mão na caixa e tirei um papel. Minhas mãos tremiam enquanto eu o abria.

Na caligrafia elegante do mordomo, estava escrito um único nome: João.

Três vezes. O destino não estava sussurrando, estava gritando.

"Está decidido", falei, com uma finalidade que surpreendeu a todos, inclusive a mim mesma. "Eu me casarei com João, o engenheiro-chefe militar."

Justo nesse momento, a porta do salão se abriu com um estrondo. Era Pedro. Ele entrou, arrogante como sempre, com um sorriso presunçoso no rosto. Ele não tinha sido convidado, mas agia como se fosse o dono do lugar.

"Beatriz, querida, ouvi dizer que você está fazendo um pequeno drama. Pare com essa birra. Todos nós sabemos quem você vai escolher no final."

Ele caminhou em minha direção, esperando que eu corresse para seus braços, como a tola que eu era na vida passada.

Levantei o queixo e o encarei com olhos que não continham mais nenhuma adoração, apenas um vazio gelado.

"Vossa Alteza está enganado", anunciei para toda a sala. "Eu já fiz minha escolha. Meu noivo é o senhor João, o engenheiro-chefe."

O sorriso de Pedro congelou. Seu rosto passou da presunção à incredulidade e, finalmente, a uma fúria mal disfarçada.

"Você o quê?", ele sibilou.

Eu não respondi. Apenas me virei para o meu avô. "Vovô, por favor, prepare o anúncio do noivado."

Naquele momento, eu não estava apenas escolhendo um marido. Estava rejeitando ativamente o meu passado doloroso. Estava tomando as rédeas da minha vida. Eu não sabia o que o futuro com João me reservava, mas sabia de uma coisa: seria diferente. Tinha que ser.

Pela primeira vez desde que reabri os olhos neste mundo, senti uma pontada de esperança. Eu tinha mudado meu destino. Olhando para o rosto furioso de Pedro, senti uma satisfação sombria. Este era apenas o começo. O começo da minha vingança e da minha nova vida.

Lembrei-me dos meus sentimentos na vida passada. Eu o escolhi porque ele era o príncipe herdeiro, o homem mais cobiçado do reino. Eu achava que o status dele me traria segurança e felicidade. Que tola eu fui. Busquei validação externa, ignorei minha intuição e paguei com a minha vida.

Agora, eu entendia. O que eu realmente precisava não era de um príncipe, mas de um parceiro. Alguém leal. Alguém que ficasse. O sorteio, por mais aleatório que parecesse, me deu João. Um homem que, por sua condição, provavelmente entendia o que era ser julgado e marginalizado. Talvez, apenas talvez, pudéssemos encontrar um terreno comum.

Eu não o amava. Eu nem o conhecia. Mas eu o escolhi. E desta vez, eu faria a minha escolha valer a pena.

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