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Capa do romance A Escolha Que Me Quebrou

A Escolha Que Me Quebrou

Após perder o filho num acidente, uma mulher implora pelo apoio do marido, Leo. Ele a ignora para socorrer a meia-irmã, Sofia, mentindo sobre estar em serviço. Pressionada pelo sogro a perdoar a negligência, ela descobre que Leo estava de folga e escolheu deliberadamente abandoná-la. Diante da traição e da fria confissão de que a irmã é a sua prioridade, ela exige o divórcio, decidida a abandonar o casamento falido para reconstruir a sua vida.
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Capítulo 2

O meu mundo acabou no silêncio de um quarto de hospital. O cheiro a antissético era a única coisa real.

Ainda ontem, eu tinha uma barriga redonda de oito meses, cheia de promessas e pequenos pontapés.

Agora, estava vazia.

A minha mãe dormia numa cadeira ao meu lado, o rosto cansado marcado pela preocupação.

Lá fora, a vida continuava. Na televisão da parede, um repórter falava do enorme engavetamento na autoestrada A1, causado por um nevoeiro súbito e denso. As imagens mostravam um caos de metal retorcido e luzes de emergência a piscar.

O meu telemóvel estava na mesinha de cabeceira, parecia pesado demais para levantar.

Mas eu precisava de o fazer. Precisava de ligar ao meu marido, Leo.

A chamada demorou a ser atendida. Quando ele finalmente falou, a sua voz era cortante e impaciente.

"Clara? Estou ocupado. O que queres?"

A voz de uma mulher soou ao fundo, fraca, mas clara.

"Leo, obrigada. Se não fosses tu, eu não sei o que teria acontecido."

Era a Sofia. A sua meia-irmã.

"Como está a Sofia?", perguntei, a minha própria voz soava estranha, como se viesse de longe.

"Partiu o pulso e está em choque, mas vai ficar bem. Acabei de a deixar no hospital. O pai já está a caminho."

Ele disse aquilo com um tom de heroísmo. O meu herói. Que não estava aqui.

Fiz uma pausa, respirei fundo o ar estéril do quarto.

"Leo, o nosso bebé morreu."

Silêncio do outro lado da linha. Não um silêncio de choque ou de dor. Era um silêncio vazio, desconfortável.

"O quê? Como assim? O que aconteceu?"

"Tive um acidente. O nevoeiro... um carro bateu-me por trás. Liguei-te."

"Eu sei que ligaste", ele respondeu, a irritação a voltar à sua voz. "Eu disse-te que estava a caminho do engavetamento na A1. Era uma emergência de categoria um, Clara. Dezenas de pessoas em risco. Tive de fazer uma escolha."

A escolha dele. Dezenas de estranhos e a sua meia-irmã contra a sua mulher grávida, sozinha num carro acidentado.

A matemática dele era simples. Eu não contava muito.

"Entendo", disse eu, e a clareza da minha decisão foi assustadora. "Então, vamos divorciar-nos."

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