
A Escolha de Pedro
Capítulo 3
A festa de aniversário da Eva estava a correr perfeitamente. Balões cor-de-rosa e brancos enchiam a nossa pequena sala de estar.
A Eva, com o seu vestido novo, corria de um lado para o outro, o seu riso era a música mais doce que eu já tinha ouvido.
De repente, a campainha tocou.
Pedro foi atender.
Quando a porta se abriu, a minha cunhada, Inês, e a sua filha, Sofia, estavam ali paradas.
O meu sangue gelou.
Não as via há cinco anos. Desde o funeral do Lucas.
"Surpresa!"
A voz da Inês era estridente e alegre. Ela entrou, abraçando o Pedro como se não o visse há apenas um dia.
Sofia, agora com dez anos, seguiu-a. Ela olhou para a Eva com uma curiosidade fria.
O meu corpo inteiro ficou tenso. Olhei para o Pedro, à procura de uma explicação.
Ele evitou o meu olhar.
"A Inês ligou-me. Ela estava a passar por perto e queria fazer uma surpresa à Eva no seu aniversário."
A passar por perto? Eles viviam a um dia de viagem de carro.
"Achei que seria bom para as primas finalmente se conhecerem."
A sua voz era casual, demasiado casual.
Senti um nó a formar-se no meu estômago.
"Pedro, podes vir à cozinha por um momento?" A minha voz saiu mais firme do que eu esperava.
Ele seguiu-me, fechando a porta atrás de si.
"O que é que elas estão a fazer aqui?" sussurrei, a minha voz a tremer de raiva contida.
"Clara, acalma-te. É só uma visita."
"Tu prometeste. Prometeste que ficaríamos longe delas."
"E ficámos! Já se passaram cinco anos. Não podes guardar rancor para sempre. A Sofia é só uma criança."
Ele não percebia. Ele nunca percebeu.
Isto não era sobre guardar rancor. Era sobre um medo profundo e paralisante que se apoderava de mim sempre que via o rosto da Sofia.
Era sobre proteger a Eva.
"Eu não as quero aqui, Pedro."
"É tarde demais. Elas já estão aqui. Sê simpática. É o aniversário da nossa filha. Não estragues o dia."
Ele virou-se e saiu da cozinha, deixando-me ali, a tremer.
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