
A Escada Quebrou, a Vingança Nasceu
Capítulo 3
Passaram-se dois dias. O Leo não me visitou. Não me ligou.
A única comunicação que tive foi uma mensagem de texto dele.
"A minha mãe disse que já tiveste alta. Podes ir buscar as tuas coisas a casa. Deixei uma caixa vazia à porta para ti. Sê rápida. A Clara vai ficar connosco por uns tempos, ela está muito abalada com o que aconteceu."
Abalada? Ela estava abalada?
Eu perdi um filho. O filho dele.
Senti uma raiva fria a crescer dentro de mim.
Chamei um táxi do hospital diretamente para a nossa casa. Ou melhor, a casa dele.
A caixa estava lá, como ele disse. Uma caixa de cartão suja, junto ao lixo.
Ignorei-a. Usei a minha chave para abrir a porta.
A casa estava uma confusão. Pratos sujos na cozinha, roupa espalhada pelo chão. E no sofá, a Clara estava deitada, a ver televisão, com o gato Tufão a dormir na sua barriga.
Ela olhou para mim com um sorriso de lado.
"O que estás a fazer aqui? O Leo disse que não te queria ver."
"Vim buscar as minhas coisas", disse eu, com a voz firme.
"Ah, sim. As tuas coisas." Ela acenou com a mão na direção do quarto. "Sê rápida. A tua presença perturba-me."
Fui até ao nosso quarto. As minhas roupas já não estavam no armário. Estavam amontoadas num canto do chão. Os meus livros, as minhas fotografias, tudo atirado para uma pilha.
Comecei a juntar as minhas coisas, a tentar ignorar o aperto no meu peito.
Então, vi.
Na mesa de cabeceira do Leo, estava um porta-retratos que eu não reconheci.
Era uma fotografia dele e da Clara. Eles estavam abraçados, a sorrir para a câmara. Parecia uma fotografia de casal, não de irmãos.
Atrás, havia uma inscrição. "Para o meu Leo, com todo o meu amor. A tua para sempre, Clara."
O meu estômago revirou-se.
A Clara apareceu à porta, a cruzar os braços.
"Gostas? Foi um presente meu para ele no aniversário dele. Ele adorou. Disse que era muito melhor do que o relógio sem graça que tu lhe deste."
"O que é isto, Clara?", perguntei, a minha voz a tremer.
Ela riu. Um riso alto e cruel.
"Oh, Sofia. És mesmo ingénua. Tu realmente pensaste que o Leo te amava? Ele só se casou contigo porque a nossa mãe o pressionou. Ele precisava de uma esposa, de uma fachada. Alguém para lhe dar um herdeiro."
Ela aproximou-se.
"Mas ele nunca te desejou. Ele sempre me quis a mim. E eu a ele."
As suas palavras eram veneno. Senti-me tonta.
"E o bebé...", sussurrei eu.
"O bebé?" Ela encolheu os ombros. "Foi um erro. Um acidente que teimou em acontecer. Mas felizmente, os acidentes podem ser corrigidos. A escada foi uma ideia brilhante, não achas?"
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