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Capa do romance A Dona de Máfia

A Dona de Máfia

Criada no violento cenário da máfia de Chicago, Dakota Drummond tornou-se uma mulher fria e marcada por traumas. Sua vida muda ao cruzar o caminho de um agente da narcóticos enviado para prendê-la. Entre perigos e salvamentos mútuos, surge uma paixão proibida. Enquanto lutam contra sentimentos que violam suas próprias regras, segredos obscuros sobre a família de Dakota emergem. Em um mundo onde matar ou morrer é a única lei, esse amor poderá sobreviver?
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Capítulo 3

KILIAN DEMÉTRIO

— Pode parar de beber e prestar atenção no que viemos fazer aqui? - murmurei para Nikolás, impaciente por ele estar bebendo desde que chegamos aqui. 

Quem quis a merda desse caso foi ele, eu só entrei na onda porque o conheço desde o ensino fundamental. Estudamos juntos, sempre fomos melhores amigos. Quando seu pai morreu, Nikolás decidiu que queria ser um agente de narcóticos. Achei a ideia legal e aqui estamos hoje, sendo parceiros e geralmente nos estressando um com o outro. 

— Estamos há tanto tempo aqui e ainda não achamos ela, Kilian. Com certeza essa mulher não vem — afirmou, se virando para mim, apoiando seu corpo no balcão. 

Olhei em volta. Tudo aqui pode ser facilmente percebido, tudo. Camille é a morena, está fazendo contato com todos os figurões mafiosos que estão aqui presentes. Ela dá risadas altas e uma vez que outra, acaba flertando com eles. Tudo se torna mais fácil para uma mulher bonita e inteligente, mesmo que ela não tenha um terço de inteligência da pessoa que viemos "encontrar".

Desde que comecei nesse caso, tenho deixado grande parte da minha vida de lado. O que é compreensível, já que precisamos parar todos os homicídios. Chicago sempre foi um lugar violento, mas há alguns meses se tornou muito mais. Isolamos algumas áreas de crimes e percebemos algo que todos os corpos tinham em comum. 

Todos os buracos de bala foram feitos no meio da testa e vieram da mesma arma, uma Desert Eagle, calibre . 50 Action Express. Essa é a marca registrada dela, todas as suas vítimas são mortas com essa arma. Se essa minha teoria for verdade, ela já tem mais de 40 homicídios nas costas. São pessoas demais, inocentes demais para morrer assim sem uma explicação. 

Minha atenção foi roubada pela mulher que acabara de colocar seus pés na casa, olhando para todos com desdém. Usando um vestido vermelho de couro, colado e curto. O vestido realça todas suas curvas, desde os seios grandes as coxas bem definidas, com uma pequena fenda na perna direita. Logo seus passos estavam se tornando mais firmes em cima dos saltos agulha. 

Engoli em seco, subindo novamente o olhar para seu rosto. Olhar de superioridade, sobrancelha arqueada e os lábios pintados de vermelho sangue. Os cabelos ondulados, castanhos claros, quase loiros.

— Tá vendo o mesmo que eu? - perguntou meu parceiro, com certa malícia na voz. 

— Eu não sou cego, Nick. 

— Eu vou chegar nela — avisou, colocando um copo de whisky entre minhas mãos. 

O encarei sério, sem acreditar que isso era mesmo verdade. Pensei em lembrá-lo da sua noiva que provavelmente estaria esperando por ele em casa, que está grávida de 4 meses. Amália precisou se afastar do serviço ao entrar no meio de um tiroteio, me preocupei com ela e com a criança mais do que o próprio Nikolás fora capaz de se preocupar. Ela sabia que ele não prestava quando se conheceram, eu a alertei, mas de nada adiantou. Agora eles vão ter um filho, vão se casar e ele ainda continua correndo atrás de qualquer mulher que aparece em sua frente. 

Fiz uma careta ao vê-lo se aproximar da mulher - e que espetáculo de mulher -, virei-me para o bar e pedi dois dedos de whisky, acostumado a sempre acobertar as merdas do meu amigo. 

Quando Nikolás namorava minha irmã, eu precisava fingir que ele não saía com mais de 2 garotas na mesma noite. Depois ainda tinha a cara de pau de dizer para Samantha que ficamos jogando baralho a noite toda. É claro que ela não acreditava, por isso terminou com ele antes que aquele relacionamento começasse a afundar e as memórias ruins ficassem. 

— Espero que não tenha ninguém sentado aqui — a voz autoritária chamou minha atenção. Isso parecia mais uma ameaça do que uma conversa amigável. Arregalei os olhos ao vê-la puxar a banqueta e sentar-se ao meu lado. 

— Não tem — resmunguei, buscando Nikolás na multidão.

Ele olhou para mim com um semblante confuso e frustrado, dando de ombros. 

— É o seguinte, o seu amigo ali me convidou para um motel — Ela olhou para mim, pegando o copo da minha frente. — Se eu tiver que dizer não mais uma vez, ele não vai sair daqui em boas condições, disso eu tenho certeza. — sorriu de canto, virando a bebida alcoólica do meu copo. 

Fiquei quieto, observando-a com surpresa e admiração. Sei o quanto Nick pode ser irritante e inconveniente, mas é a primeira vez que uma mulher faz uma ameaça indireta a ele. Queria ver sua cara caso ele estivesse bem aqui para ouvi-la dizer isso.

— Depois eu converso com ele sobre... 

— Não fala nada. Deixa ele achar que levou um fora por eu ter escolhido você. Ele se acha bom demais pra isso, então vai ser engraçado — disse, lançando uma piscadela para mim. 

Abri um sorriso bobo, apreciando sua personalidade extraordinariamente forte. Eu facilmente seria manipulado por essa mulher, e não reclamaria de jeito nenhum. 

— Não faz parte disso, não é? — ela perguntou, cruzando as pernas, ficando virada para mim. Seus olhos cravaram nos dois homens altos, trocando entre si uma maleta preta. Dentro dela, ou dinheiro, ou drogas.

— Claro que sim. Por quê? Passo a impressão de estar deslocado? — perguntei, pedindo em um aceno mais duas doses. 

— Seu blazer é a única coisa de acordo aqui. Desde que te vi, você já afrouxou a gravata quatro vezes, olhou para todos aqui dentro, como um cão farejador. O que está procurando? - ela se aproximou, mantendo uma sobrancelha arqueada em seu semblante divertido. 

— Esse é o meu jogo. Há algum tempo eu queria ser perfilador, desisti da carreira, mas continuo estudando o comportamento das outras pessoas. 

Isso era mentira, uma merda de uma mentira. Mas não vou chegar em uma festa rodeada de criminosos e dizer que sou um agente de narcóticos. Ela já percebeu que eu estava reparando demais nos outros, não tinha como dizer que sou apenas curioso. E de certa forma, eu realmente consigo estudar o comportamento dos demais, e ela está fazendo isso comigo agora. 

— Então prova — desafiou-me, levando o copo até os lábios carnudos e vermelhos, dando um gole grande de whisky. 

Ajeitei-me na banqueta, olhando ao redor, percebendo que seu olhar seguia o meu. 

— Aquele lá, de vermelho. Está agitado, aparentemente sob efeito de drogas. Pela camisa é possível perceber que ele está transpirando e se sentindo sufocado. Já abriu quatro botões e puxou o colarinho. Talvez nervoso com algo que precisa fazer ou entregar para alguém. 

Olhei para ela, que tinha um sorriso divertido desenhado nos lábios. Talvez um olhar surpreso também, mas é difícil saber. 

— Você é bom, mas acredite — colocou-se de pé. — Eu sou muito melhor. — Ela começou a caminhar para longe do bar. 

— Então prova — usei suas palavras, alterando a voz, vendo-a se virar brevemente. 

Não tive nem tempo de pedir seu número de telefone ou até mesmo perguntar seu nome. Estava ocupado demais prestando atenção no quanto vermelho fica bem nela... Pra falar a verdade, acho que qualquer coisa fica.

— Eu não preciso provar nada para ninguém — devolveu em tom médio, mas ainda sim audível da distância que ela estava. Virou-se de costas e pôs-se a caminhar para o outro lado da casa. Segui o movimento leve de seus quadris, ainda impressionado com ela.

Uau! Essa mulher é... incrível.

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