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Capa do romance A Diabinha é Esposa do CEO

A Diabinha é Esposa do CEO

O reencontro com Iuri na empresa desperta o pânico em uma funcionária comum. No passado, ela o prejudicou, mas agora ele é o CEO e parece não guardar rancor. Em vez de frieza, Iuri a encara com um desejo desconcertante, chamando-a de estrela e fazendo promessas de sedução intensas. Ela desconfia dessa mudança repentina, temendo que as palavras sedutoras sejam apenas uma tática cruel de vingança para humilhá-la agora que ele detém todo o poder.
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Capítulo 2

// Elisa Benett \

Acordei sem um pingo de vontade de sair da cama, amo meu trabalho, contudo, ir trabalhar menstruada e de TPM é um saco. Mas preciso do dinheiro, meus pais me deserdaram e eu tenho uma irmã que depende de mim, então preciso lutar para conseguir fazer nós duas vivermos. E dou graças por ter conseguido me formar com uma bolsa cem por cento integral, antes de me formar eu fiz estágio na empresa Império Stewart, e logo formada eu fui efetivada. 

Por mais que eu tente esquecer, jamais conseguirei tirar da minha mente as atitudes horríveis que tive com um garoto chamado Iuri na nossa infância. Só depois que entrei no ensino médio, eu percebi que o bullying só é engraçado, quando ele não é com você. 

Me dói tanto lembrar do acidente que aconteceu a ele por minha culpa... As pessoas que se diziam meus amigos, fugiram e me deixaram sozinha no meio do sangue. Eu até liguei para a ambulância, mas também acabei fugindo. Fugi da responsabilidade e me arrependo tanto, no dia seguinte vi de relance na televisão que ele havia sobrevivido, mas o sentimento de culpa não foi embora. 

A mulher que sou hoje, com vinte e cinco anos, sente vergonha da adolescente que fui.

Hoje é meu dia de folga, mas como entrará um novo CEO na empresa em que trabalho, melhor eu ir. Tomo um remédio para cólica e irei para a empresa. 

•| Na sala da presidência |•

— Elisa! — ouço minha amiga me chamar quando entro, são sete horas da manhã. O pessoal ainda está chegando, eu gosto de sempre chegar cedo, assim evito qualquer tipo de imprevisto.

Em menos de vinte minutos a sala fica cheia, me sinto espremida, minha estatura é baixa, então decido ir um pouco mais para frente para poder ver quem será o novo chefe.

— Que gostoso! — ouço minha amiga comentar, olho para a porta e sinto meu sangue congelar em minhas veias.

Meus olhos pousam em um moreno alto... Eu o conheço de algum lugar... Onde eu já vi esses olhos?

Iuri! — seu nome grita em minha mente.

Ele está tão diferente, não está mais magro como antes, agora tem um corpo com músculo, seus cabelos negros penteados perfeitamente para trás e sua barba bem feita, sua postura é totalmente diferente daqui eu me lembrava, ele não é mais um garotinho que ficav se humilhando para mim, ele agora parece está dominando tudo a sua volta.

Não, não, não, não... Por que ele está aqui!?

O sigo com o olhar até ele chegar ao centro da sala, o sr. Jones o apresenta e sinto tudo ao meu redor desmoronar. 

Ele começa a discursar, mas para quando nossos olhos se cruzam. E o que é isso? É diferente do que eu imaginei, seus olhos não me olham de forma fria ou odiosa, mas como se estivessem me vendo pela primeira vez, como se tivessem me encontrado. 

Ele volta a discursar, uma lágrima cai de meus olhos e eu logo a enxugo, eu pedi tanto a Deus para vê-lo mais uma vez para poder me desculpar, mas agora percebo que não estou pronta, mesmo após dez anos, eu ainda não consigo encará-lo.

— Amiga? Você está bem? — Cloe futuca meu braço.

— Si-sim — pisco meus olhos várias vezes.

— O chefe é tão gato que te deixou branca.

Não consigo responder nada, apenas tento engolir o caroço em minha garganta. Quero fugir daqui, quero fazer como fiz há dez anos, ir para longe e me esconder.

Iuri termina o discurso e nos dispensa para retornarmos aos nossos afazeres. Mas antes que eu consiga sair da sala, ele vem em minha direção. Seu oi saiu de forma tão simpática que me sinto confusa e desconfiada. Cloe o comprimenta e eu permaneço calada, mas ele apenas acena para ela e volta a olhar para mim. Não consigo encarar a profundidade de seus olhos.

— Então era aqui que você estava? E eu te procurando a vida inteira.

Oi? Isso foi um galanteio? Não consigo disfarçar o meu espante e o encaro com olhos marejados, o que está acontecendo? Eu não consigo entender.

— Não sabia que trabalhava uma estrela na minha empresa — ele fala de novo e sinto um misto de confusão dentro de mim. 

— De-deve estar me co-confundindo, sr. Stewart, não sou famosa — falo nervosa e sinto o caroço voltar e entalar minha garganta. 

— Melhor a gente se apresentar antes que a noite caia e precise correr para iluminar o céu — fala sorrindo, sedutoramente.

O que ele está tentando fazer? Sinto que minha mente vai entrar em colapso. É melhor eu ignorá-lo.

— Tchau, Cloe — me despeço e saio quase correndo de dentro da sala, indo para longe dele.

Escuto passos atrás de mim, algo me diz que é ele, apresso os meus. Não quero falar com ele. Mas ele consegue me alcançar e segura em meu braço, me fazendo parar de andar, ele para em minha frente depois de um movimento rápido.

— Desculpe — ele fala baixo.

Abaixo minha cabeça e com o dorso das mãos enxuga meus olhos molhados pelas lágrimas, não consigo resistir, a culpa ta me matando, cada palavra que eu o disse há dez anos martela em minha mente me fazendo chorar.

Sinto meu queixo sendo erguido e nossos olhos se encontram. Seus olhos não demonstram raiva, apenas firmeza e curiosidade. O que isso significa? Ele respira fundo e então começa a falar:

— Eu te magoei? — pergunta com a fala mansa.

Desfaço nosso contato e termino de enxugar minhas lágrimas.

— Não é o dono das minhas lágrimas — falo com a voz baixa.

— Que bom. Quero ser o dono dos seus sorrisos e gemidos, jamais de suas lágrimas.

Sinto meus olhos se estremecerem, pisco várias vezes, não devo estar ouvindo direito. 

Ele deve está querendo se aproveitar de mim nessa situação, agora que ele está em um posição alta e eu sou apenas uma funcionária. 

Ele vai se vingar assim? De forma tão baixa? Eu sei que mereço, mas ele sempre falou que era diferente, e realmente sempre agiu de maneira diferente dos outros.

— O senhor é meu patrão, não é ético o que está fazendo — fungo, vou tentar apelar para o bom senso — Não é legal brincar com as pessoas dessa forma, nesse momento posso ser sua funcionária, mas isso não lhes dá o direito de brincar comigo só porque é superior e acha que pode se…

— Iuri Stewart — me corta se apresentando e estica a mão para mim.

Olho de forma confusa sua mão em minha direção.

— Eu sei quem é senhor — reviro os olhos dizendo o óbvio.

— Não vai me dizer seu nome? Quero saber o nome da mais bela moça.

— O... O senhor não se lembra de mim? — indago confusa.

— Já nos conhecemos? Me desculpe, eu sofri um acidente e perdi a memória.

Sinto o ar fugir de meus pulmões, o acidente dele resultou em perda de memória. Meu Deus! Pisco meus olhos tentando não demonstrar o meu espanto, será uma segunda chance me sendo dada?

— Me chamo Elisa — digo apenas, sem sobrenome.

Não dou nenhum sorriso, não dou mais do que um fraco aperto de mão, mas foi suficiente para que algo parecido com uma descarga elétrica percorresse meu corpo, arrepiando todos os meus pelos, percebo que o mesmo aconteceu com ele, isso faz o castanho de seus olhos ficarem escuros e me olharem com ainda mais intensidade. 

— Elisa — ele fala meu nome como se estivesse testando a sonoridade, e ouvir meu nome em sua boca me deixa encantada, a voz dele é linda demais.  

Será que eu realmente estou tendo uma segunda chance? Vou poder encará-lo sem ter o passado me assombrando?

— Me desculpou?

Saio de meus devaneios com sua pergunta. 

— Pelo o quê? — pergunto confusa.

— É aí que está o ponto, eu ainda não te dei um motivo.

— O que isso quer dizer? — pergunto com as sobrancelhas juntas. 

— Logo logo saberá, doce donzela.

Ele beija minha mão, me pegando de surpresa e então volta para a sala de onde saiu.

O que acabou de acontecer?

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