
A Deusa Ressurge: Paixão e Ódio
Capítulo 3
A enxurrada de ódio não parou, pelo contrário, pareceu se intensificar depois que eu bani um dos seus líderes. A tela do meu celular rolava tão rápido que eu mal conseguia ler os comentários individuais, era apenas uma parede de insultos.
"Quem ela pensa que é para banir alguém?"
"Arrogante! Além de feia e gorda, é arrogante!"
"Acha que pode nos calar? Vamos te denunciar até seu canal cair!"
"Volta pro chiqueiro, porca!"
Era um ataque coordenado, uma tentativa de me esmagar sob o peso do escárnio público. Qualquer outra pessoa teria desligado, chorado, desistido. Minha agência já tinha me ligado, uma chamada curta e fria informando que meu contrato estava rescindido. Eu estava sozinha, humilhada e, financeiramente, em apuros.
Mas a humilhação tinha um efeito estranho em mim, ela se transformava em uma teimosia gelada. Eles queriam que eu me sentisse como lixo, então eu me recusaria a dar-lhes essa satisfação.
"Denunciar?", eu disse, lendo um dos comentários em voz alta com um tom de deboche. "Por favor, fiquem à vontade. Gastem seu tempo precioso tentando derrubar alguém que vocês odeiam tanto. Isso só mostra o quão vazias são as suas vidas."
Meu dedo deslizou pela tela, rápido e impiedoso.
"Você", clique, ban. "E você também", clique, ban. "Ah, esse aqui foi criativo, mas não o suficiente", clique, ban.
Eu estava limpando minha casa, expulsando a sujeira. A cada usuário banido, eu sentia uma pequena centelha de poder retornando. Eles não podiam me tocar. Podiam gritar, xingar, mas no final do dia, eu controlava o botão.
No meio do caos, os comentários positivos dos meus fãs leais continuavam a aparecer, pequenas ilhas de sanidade.
Lucas_Leal: "É isso aí, Sofia! Mostra pra eles quem manda!"
Girassol_da_Sof: "Não deixa eles te abalarem! Amamos seu conteúdo!"
Livros&Voz: "Sua personalidade é o que nos conquistou. O resto é só barulho."
Eu sorri genuinamente pela primeira vez naquela noite. Era por eles que eu estava fazendo aquilo. Para mostrar a eles que a resiliência não era apenas uma palavra bonita.
"Para os meus fãs de verdade", eu disse, minha voz suavizando um pouco. "Obrigada. Vocês não têm ideia do quanto isso significa."
Enquanto eu falava, uma pequena notificação, quase invisível, piscou no canto da tela do meu computador. Não era do aplicativo de streaming. Era um anúncio pop-up, um que eu normalmente ignoraria.
"Cansada da sua aparência? Reinvente-se. Transferência de Dados Corporais - A tecnologia do futuro, hoje."
Normalmente, eu fecharia aquilo como spam. Mas hoje não era um dia normal. A humilhação, a raiva, a lealdade dos meus fãs e agora, essa promessa bizarra... tudo se misturou na minha cabeça. "Transferência de Dados Corporais". Soava como ficção científica barata.
Cliquei.
O site era elegante, minimalista, com um design limpo e profissional que contrastava com a promessa absurda. Vivia Health Tech. Depoimentos, gráficos, explicações científicas sobre mapeamento genético e reestruturação celular. A premissa era simples: você escolhe um novo corpo a partir de um banco de dados de modelos genéticos, paga uma taxa, e a tecnologia transfere os "dados" para o seu corpo, reescrevendo sua estrutura física em questão de horas.
Era loucura. Completamente insano. E caro. O preço era astronômico, o suficiente para comprar um apartamento de luxo.
Mas... e se fosse real?
E se eu pudesse voltar? Não como a Sofia de antes, a voz por trás de uma foto falsa, mas como alguém inegável. Alguém cuja beleza fosse tão esmagadora que calaria todos os críticos. Alguém que pudesse olhar Mariana nos olhos e fazê-la sentir-se pequena. Alguém que faria Pedro se contorcer de arrependimento.
A ideia era tão poderosa, tão sedutora. Não era sobre ser aceita. Era sobre poder. Sobre virar o jogo de uma forma que ninguém poderia prever.
Olhei de volta para a câmera do celular, para os milhares de olhos me julgando. Eu vi o rosto de Mariana em minha mente, seu sorriso falso. Vi a traição nos olhos de Pedro.
Minha decisão foi tomada.
"Bom, pessoal", eu anunciei, minha voz carregada com uma nova determinação. "Acho que já chega por hoje. Mas não se preocupem."
Eu dei um sorriso enigmático para a câmera.
"Eu vou voltar. E quando eu voltar, vocês não vão acreditar no que vão ver."
Com isso, encerrei a transmissão, deixando para trás um chat em frenesi de confusão e especulação. Eu não sabia se a Vivia Health Tech era real ou o maior golpe da internet. Mas naquele momento, eu estava disposta a apostar tudo o que tinha, e o que não tinha, naquela chance.
Você pode gostar





