
A Dama de Duas Caras que Roubou Meu Coração
Capítulo 2
Sob a pressão incessante de Shawn e Suzanne, Emma permaneceu em silêncio.
Enquanto estavam frente a frente, com a tensão palpável no ar, um criado apressou-se para entregar uma notícia.
"O carro da família Johnson está aqui para buscar a Srta. Bradley!"
"Emma, você ouviu isso, não ouviu? O carro chegou!" O olhar de Shawn pesava sobre Emma, carregado de pressão.
A ansiedade de Suzanne era evidente ao notar o silêncio contínuo de Emma. Desesperada para rompê-lo, ela agarrou o braço de Emma e tentou conduzi-la em direção ao carro que a aguardava.
Sentindo uma dor aguda no braço, Emma instintivamente recuou.
"Eu..." Suas palavras foram interrompidas pelo grito urgente de um criado vindo do andar de cima. "A Srta. Renée está tentando cometer suicídio. Você tem que fazer algo!"
A expressão de Suzanne se contorceu em aflição ao ouvir a notícia. Seus olhos ficaram vermelhos enquanto ela segurava os ombros de Emma e perguntava: "Você quer que sua irmã se mate? Você não pode ser tão cruel!"
A palavra "cruel" atingiu Emma profundamente, embora ela estivesse preparada para isso.
Quão absurdo era ser chamada de cruel por sua mãe por se recusar a sacrificar sua felicidade por uma irmã que nem sequer era de sangue?
"Está bem." Resignação coloriu sua voz enquanto ela mantinha o olhar firme em Suzanne. "Eu concordarei com o noivado em nome de Renée. Está satisfeita agora?"
Shawn e Suzanne trocaram olhares surpresos enquanto processavam o acordo inesperado de Emma. Por um momento, ficaram sem palavras com a reviravolta dos acontecimentos.
"Emma, eu sabia que você faria a coisa certa."
Finalmente recuperando a compostura, Shawn aproximou-se dela com um ar de satisfação. Ele colocou uma mão tranquilizadora em seu ombro, dizendo: "Isso pode ser o melhor. Apesar dos rumores em torno de Ricky, a família dele é rica. Você não terá que se preocupar com nada."
Se era realmente o melhor, por que ele hesitava em deixar sua filha adotiva casar-se com aquele homem?
Mas Emma manteve seus pensamentos para si, focando-se no cartão que Shawn deslizou em sua mão.
"Papai, para que é isso?"
"Apenas considere como uma forma de compensação," Shawn explicou, assumindo uma fachada de bondade paternal. "Afinal, você também é minha filha. É justo que eu arranje algo especial para você quando se casar."
Seu tom era convincente, mas Emma não acreditava nele.
Como esperado, Shawn rapidamente mudou de assunto.
"Querida, preciso lembrar você. Uma vez casada com Ricky, faça-o sentir-se bem. Não podemos deixar o noivado acabar. Sua mãe e eu amamos você. Só queremos que você seja feliz."
Shawn continuava dizendo que a amava, mas suas ações mostravam o contrário. Em vez de mostrar preocupação genuína, ele a instigava a garantir sua posição dentro da família Johnson para seu próprio benefício.
Emma assentiu em aparente concordância.
Ver a expressão submissa no rosto de Emma agradou imensamente Shawn. Ele não tinha antecipado quão facilmente ela poderia ser manipulada. Um olhar de satisfação trocado com Suzanne confirmou seu contentamento.
"Chega de conversa. Vamos acompanhá-la até o carro."
Juntos, Shawn e Suzanne escoltaram Emma até o carro que a esperava.
Durante o trajeto, Emma permaneceu em silêncio, seus pensamentos escondidos por trás de uma expressão indiferente.
Com uma expressão vazia, ela brincava distraidamente com o cartão em sua mão, um toque de desdém dançando em seus olhos.
Mal sabiam Shawn e Suzanne que Emma não permitiria que alcançassem seus objetivos egoístas.
Enquanto isso, na suíte do hotel, Ricky acordou em meio a uma cena de desordem. Sua expressão transformou-se em uma expressão furiosa.
Chamando seu assistente, Preston Ford, com uma expressão severa, ele exigiu respostas. "Onde está a mulher que estava no meu quarto?"
"Senhor, o que quer dizer? Estou confuso." Preston parecia perplexo.
Ao olhar para a janela aberta, Ricky percebeu. Aquela mulher tinha escapado!
"Maldição!" ele murmurou entre dentes.
Uma leve dor em seu ombro desencadeou memórias da noite anterior.
Ele estava semiconsciente na época, e a iluminação fraca no quarto tinha obscurecido as feições da mulher. Tudo o que ele podia lembrar eram as inúmeras marcas de paixão que ela deixara nele.
"Sr. Johnson, acha que ela foi enviada para testar suas pernas?" Preston perguntou ansiosamente.
A expressão de Ricky escureceu com a sugestão. Alguém havia orquestrado um acidente que feriu suas pernas e, apesar de sua recuperação, ele optou por manter a verdade oculta do público.
"Não, não acredito que ela tenha descoberto nada," Ricky respondeu sombriamente.
Embora ele tenha lutado para se conter, sua sanidade restante o instigou a controlar seus impulsos.
Mas o que importava era que, na noite passada, seus dedos tocaram novamente uma cicatriz familiar.
Era realmente ela, a mulher de seis anos atrás!
Finalmente, ela havia aparecido.
"Localize essa mulher para mim, mesmo que isso signifique vasculhar cada centímetro desta cidade! "
Assim que as palavras saíram de seus lábios, seu telefone, repousando no chão, vibrou.
Preston o pegou e passou para ele. "É seu pai."
A voz de Dominic Johnson crepitou através do telefone quando Ricky atendeu.
"Ricky, onde você está? Eu providenciei que alguém buscasse a Srta. Bradley. Ela está a caminho. Volte para casa. Precisamos discutir o noivado."
"Entendido." A expressão de Ricky azedou ao encerrar a chamada.
A família Bradley e a família Johnson haviam arranjado um noivado, mas ele nutria uma forte aversão à primeira. Ele os via como meros puxa-sacos e tinha um desprezo particular por sua suposta noiva. Por isso, ele se opôs veementemente ao noivado.
Ele não conseguia entender a insistência de seu pai no casamento. Como ele podia ser cego às verdadeiras intenções da família Bradley?
Incapaz de persuadir seu pai, Ricky decidiu tomar as rédeas em suas próprias mãos, começando com aquela dama Bradley!
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