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Capa do romance A Crueldade Retorcida do Meu Irmão

A Crueldade Retorcida do Meu Irmão

Por cinco anos, suportei a fome e o desabrigo para proteger meu irmão, Arthur, crendo que ele estava preso. Contudo, descobri que meu martírio foi uma lição cruel planejada por ele. Enquanto eu sofria, Arthur e sua namorada, Késia, viajavam luxuosamente. Após ser agredida e humilhada ao confrontá-lo, percebi que minha dor era apenas o divertimento deles. Em meu último fôlego num apartamento sujo, decidi encerrar esse jogo perverso com uma ligação final.
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Bianca Moraes:

Eu cresci com tudo. Uma cobertura com vista para o Parque Ibirapuera, roupas de grife, fundos fiduciários transbordando. Meus pais sempre diziam que eu tinha um espírito de fogo, uma vontade própria. Eles chamavam de paixão; Arthur chamava de teimosia. Uma coisa era certa: eu nunca deixei ninguém pisar em mim.

É por isso que eu não suportava ser intimidada.

Meus pais morreram em um acidente de avião quando eu tinha dezoito anos, deixando Arthur e eu sozinhos com nosso luto e o vasto império de tecnologia que eles construíram. Arthur, apenas cinco anos mais velho, tornou-se meu tutor, meu protetor. Ou assim eu pensava.

Alguns meses após o funeral, ele trouxe Késia para casa. "A casa parece vazia demais, Bianca", ele disse, evitando meu olhar. "Késia nos fará companhia." Ela era linda, de uma forma frágil, de boneca de porcelana. Mas seus olhos, mesmo naquela época, continham um brilho de algo calculista.

Késia desempenhou o papel da órfã doce e inocente com perfeição. Na frente de Arthur, ela era toda sorrisos recatados e toques gentis. Mas no momento em que ele virava as costas, suas verdadeiras cores apareciam. Ela "acidentalmente" derramava café nos meus livros didáticos, "esquecia" de me avisar sobre importantes reuniões de família e sussurrava mentiras insidiosas para Arthur sobre meu suposto desrespeito.

Arthur, cego por sua fachada angelical, sempre caía nessa. "Bianca, você é tão mimada", ele repreendia, sua voz tingida com a frustração que Késia havia plantado com maestria. "Você precisa crescer. Késia passou por tanta coisa, e você a trata assim?"

Meu sangue fervia. Eu não era apenas mimada; eu era ferozmente leal, especialmente a Arthur. Mas sua constante desconsideração, sua crença inabalável em Késia, me corroía. Uma noite, depois que Késia deliberadamente difamou meu nome para Arthur, culpando-me por um erro que ela havia cometido no jantar da empresa, algo dentro de mim estalou. Arthur tinha acabado de me repreender novamente, com base nas acusações chorosas de Késia.

"Bianca, você precisa se desculpar", ele exigiu, sua mandíbula tensa.

Késia estava atrás dele, um sorriso presunçoso brincando em seus lábios, seus olhos me desafiando.

Eu olhei para ela, depois de volta para Arthur. "Pedir desculpas pelo quê? Pelas mentiras dela?"

O rosto de Késia se contorceu, uma performance aperfeiçoada ao longo de meses. "Arthur, por favor, ela é tão má comigo!"

Foi o estopim. Minha mão se moveu antes mesmo que eu registrasse o pensamento. PLAF! O som ecoou na sala de jantar silenciosa. Késia cambaleou para trás, agarrando sua bochecha, sua fachada cuidadosamente construída se despedaçando. Suas lágrimas falsas se tornaram reais, seus olhos arregalados de choque.

"Isso", eu disse, minha voz tremendo de fúria, "é como um tapa de verdade. Nunca mais tente me fazer parecer má."

Késia desabou no chão, soluçando incontrolavelmente, implorando a Arthur para "fazer alguma coisa".

O rosto de Arthur era uma máscara de raiva. "Bianca! Peça desculpas a ela! Agora!"

"Nunca", cuspi, meu peito arfando.

Ele levantou a mão, seus olhos ardendo, pronto para me bater. Foi a primeira vez que ele sequer considerou colocar a mão em mim.

"Vá em frente", eu disse, minha voz perigosamente calma, embora meu coração martelasse contra minhas costelas. "Bate. E aí a gente acaba. Você e eu. Para sempre."

Sua mão pairou, tremendo de raiva contida, as veias em seu pescoço saltando. Ele não conseguiu. Ainda não.

Ele lentamente abaixou o braço, seus olhos ainda fixos nos meus, cheios de um ódio que eu nunca tinha visto antes. Então ele se virou, de costas para mim, e gentilmente ajudou Késia a se levantar, sussurrando palavras reconfortantes para ela. "Está tudo bem, querida. Vou garantir que ela pague por isso. Eu prometo."

Eu zombei silenciosamente. Uma "lição". Ele não ousaria. Ele não poderia entender o que eu faria com ele se tentasse. Eu era Bianca Moraes. Eu nunca recuava.

Eu o observei confortá-la, um nó frio se formando no meu estômago. Ótimo. Deixe-o confortá-la. Eu teria minha vingança. Ele se arrependeria de ficar do lado daquela víbora. Isso era apenas uma pequena escaramuça. Eu venceria a guerra.

Pensei que sua "lição" seria algum castigo mesquinho, ou talvez cortar minha mesada por um mês. Nunca imaginei as profundezas de sua crueldade.

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