
A Chuva do Funeral e a Vingança Fria
Capítulo 3
O meu advogado, o Sr. Alves, foi rápido. Ele conhecia a minha família há anos.
"Eva, tens a certeza?", perguntou ele ao telefone, a sua voz calma e profissional.
"Absoluta," respondi eu, a minha voz firme. "Quero tudo a que tenho direito. E quero-o fora da minha casa."
A casa pertencia à minha família. Um presente de casamento dos meus pais.
"Ele vai lutar, Eva. Ele não vai desistir facilmente do estilo de vida."
"Eu sei," disse eu. "É por isso que te liguei."
Desliguei e olhei em volta para a casa silenciosa. Era grande demais, vazia demais.
O Pedro chegou uma hora depois. Ele não bateu. Usou a sua chave e entrou de rompante.
O seu rosto estava vermelho de fúria.
"Que raio pensas que estás a fazer?", gritou ele, a apontar para os sacos.
Eu estava sentada no sofá, imóvel. "Estou a pedir o divórcio."
"Por causa de uma fotografia estúpida? A Clara odeia a irmã, ela faria qualquer coisa para causar problemas!"
"Não é por causa da fotografia, Pedro. É por causa disto." Apontei para o quarto do Leo. "É por não estares lá. É por estares com ela."
Ele aproximou-se, a sua raiva a transformar-se em algo mais manipulador.
"Eva, meu amor, tu não estás a pensar bem. Estás de luto. Estás confusa."
Ele tentou tocar-me, mas eu recuei.
"Não me toques."
O seu rosto endureceu outra vez. "Não podes fazer isto. Nós passámos por tanto juntos."
"Não, Pedro. Eu passei por tanto. Tu estiveste ausente."
"Isso não é justo! Eu trabalho muito para nos dar esta vida!"
"Esta vida?", ri amargamente. "Esta vida é financiada pelos meus pais. Tu trabalhas, sim, mas gastas o teu dinheiro em ti e nela."
O seu silêncio foi uma confissão.
"Pega nas tuas coisas e sai," disse eu, a minha voz baixa e fria.
"Não vou a lado nenhum. Esta é a minha casa."
"Não, não é. O meu advogado vai contactar o teu. Agora, sai."
Ele olhou para mim, os seus olhos a calcular. Ele viu que eu não estava a ceder.
A sua postura mudou. A raiva desapareceu, substituída por um desprezo gelado.
"Vais arrepender-te disto, Eva."
Ele agarrou nos sacos, a arrastá-los pelo chão de madeira que os meus pais tinham pago.
Quando ele saiu, bateu a porta com tanta força que um quadro na parede caiu e o vidro partiu-se.
Eu não me mexi.
Apenas ouvi o som do seu carro a arrancar e a desaparecer.
Então, o silêncio regressou. Mais pesado do que antes.
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