Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance A Chance

A Chance

Após dez anos juntos, o casamento de Hugo e Beatriz chega ao fim com um pedido inesperado de divórcio. O par, que se conheceu na faculdade e era visto como o casal ideal, escondia brigas e desgastes profundos. Enquanto enfrentam a separação, uma figura do passado ressurge na vida de Beatriz, trazendo novas perspectivas. Diante de reviravoltas do destino, ela terá que fazer uma escolha definitiva para finalmente alcançar seus verdadeiros desejos.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

As primeiras semanas foram bem fáceis para Beatriz, pois aquela não é a primeira vez em que Hugo saía de casa e diz que nunca voltará. Depois de três meses, os primeiros papéis para assinatura do divórcio chegaram e ela rasgou cada envelope sem abrir. A partir do quinto, ela passou a queimá-los. Até que começou a deixar acumular.

Ela passou a sair de casa para fazer somente o essencial, que incluía os eventos de caridade e ir à casa de sua mãe, Miranda Gouvêa, a quem sempre recorreu para saber o que fazer. O medo começa a tomar conta de sua mente, talvez dessa vez ele tomasse coragem e não voltaria.

— O que eu faço agora? Se ele não voltar… Eu não… Não sei o que fazer – comenta Beatriz tentando segurar as lágrimas. Sabe que sua mãe odeia drama, ainda mais em um restaurante.

— Mantenha a mesma postura de sempre: recuse. Uma hora ele cansa e percebe que esse divórcio não o beneficiará em nada. A imagem dele será destruída perante as todas as empresas do Rio de Janeiro. Isso eu garanto. – bebe um gole de seu suco e continua — Não demonstre emoção em público, querida. Você não quer aparecer nas revistas de fofoca, não é mesmo?

— Mas já faz um ano – começa Beatriz, sendo interrompida pela chegada do garçom com os pratos das duas. Assim que ele sai, ela continua — Já era para ele ter voltado para casa. Acho melhor eu ir atrás dele e pedir perdão…

— Não fará isso – interrompe Miranda demonstrando uma leve irritação pela fraqueza da filha. Corta sua salada e continua— Ele tem de ir atrás e não você. Ele é quem deve agradecer por você permitir que ele entrasse para a família.

— Eu sei, mas a Sônia acha que talvez seja o que ele deseja que eu vá atrás dele – murmura. Ela para de falar, pois lembra que não havia contado para mãe a respeito da conversa com sua melhor amiga.

— Eu disse para não contar a ninguém – repreende sua mãe a encarando — Como se atreve a expor essa situação?

— Ela é minha melhor amiga e você a conhece. A Sônia jamais contaria a alguém sobre meu casamento.

— Vamos ver. Mas o que ela sabe sobre casamento? Ela nem é casada, ainda. Escute o que eu estou falando: mantenha a mesma postura em que está agora e ele voltará para casa. Ele precisa mais de você do que o contrário, afinal não levará nada da nossa família. Era um pobre coitado e agora acha pode querer exigir algo. Se o seu pai estivesse vivo, daria um jeito nesse aproveitador. Alguém mais sabe sobre tudo isso?

— Não. Somente ela. Pedi total discrição. – garante.

Beatriz então olha para aquela bela senhora que agora come tranquilamente seu almoço. Ninguém diria que sua mãe já tinha cinquenta anos. Seus cabelos estão pintados de loiros em nada lembram os cabelos castanhos que tivera. A mesma cor dos de Beatriz, muitos conhecidos dizem as duas se parecem muito. Porém, sua mãe usava Botox para que as rugas não marcassem seu belo rosto. Coisa que a Beatriz não tem qualquer pretensão, já está com trinta e um anos recém-completados e não havia feito nenhum procedimento estético, diferente de muitas de suas amigas. Acha sua mãe uma mulher muito bonita e bem mais experiente que ela, porém não tem certeza de que esteja certa com relação a Hugo, mas não pretende contrariá-la.

Terminam de almoçar e Beatriz volta para o seu Duplex na Barra da Tijuca. Toda vez que entra, sempre lembra que foi ideia do Hugo, pois ele ama a praia e o apartamento fica bem de frente. Agora ela percebe o quão grande, vazio e frio é aquele lugar. Sente falta de seu esposo, quase pode vê-lo sentado no sofá da sala assistindo televisão, ou na varanda admirando a vista, ele se virando e sorrindo para ela… Beatriz sacode a cabeça, tentando apagar aquelas imagens, vai para o quarto, onde abre o closet: a parte de Hugo está vazia. Deita-se ali, como faz sempre durante todos aqueles meses. Um pensamento triste lhe ocorre: Talvez Hugo nunca mais volte.

****

— Dona Beatriz? – chama Leninha, batendo forte na porta da suíte da patroa — Dona Beatriz levante, são quase seis horas!

Mas Beatriz não quer levantar, bem como em todas as manhãs desde o término. Na verdade naquele dia ela não precisa acordar cedo, afinal é sábado.

— Dona Beatriz, a senhora precisa se levantar esqueceu que hoje é o jantar da Dona Sônia? O jantar de despedida de solteira! - informa a empregada preocupada.

Então Beatriz olha para o despertador em sua cabeceira. Realmente são seis horas, mas da noite! Como eu pude esquecer? E como irei me arrumar, pensa Beatriz nervosa.

— Leninha, entre! – ordena Beatriz saltando da cama — Rápido, me ajude a escolher algo para vestir! E o que farei com o cabelo?

— Acalme-se, Dona Beatriz. Use o vestido azul-marinho tomara que caia com a echarpe – vai até o closet pegar o vestido e a echarpe. Lá dentro sugere — Faça um coque meio solto, assim não fica parecendo que acordou agora. Use aquele conjunto de Safiras que seu Hugo lhe deu.

— Mas nem morta que vou com aquele conjunto. Pegue para mim o vestido verde bandeira, os scarpin pretos e o meu par de brincos de ouro dado pela minha mãe. Irei de coque… Oh, meu Deus! – exclama com as mãos na cabeça, desesperada — Esqueci-me do presente!

— Dona Beatriz, sua mãe já comprou. E já foram entregues – responde Leninha, colocando o vestido na arara do quarto para Beatriz.

—Agradeça-a, por favor – senta na penteadeira. Assim que olha para seu reflexo no espelho da penteadeira, exclama – Nossa como estou péssima!

—Desculpe-me se isso pareceu atrevimento, mas chamei a Dona Lizz para fazer sua maquiagem – confessa Leninha, colocando suas mãos rechonchudas nos ombros de Beatriz — A senhora precisa estar belíssima nesse jantar. Quem sabe conhecer alguém.

— Obrigada, Leninha, você sempre acerta. É como se fosse minha mãe – elogia, enquanto segura à mão de sua secretária — O que seria de mim sem você?

— A senhora continuaria sendo a Beatriz Gouvêa Abraão… Desculpe-me. – pede a empregada, se lembrando que o último sobrenome pertence ao Hugo.

— Tudo bem, Leninha, eu ainda sou a Senhora Abraão, ele gostando ou não – vira para o espelho novamente — Tenho de estar linda para que chegue aos ouvidos dele o quanto estou bem.

— E por falar nisso, o senhor mandou novamente aqueles papéis para a senhora. Eu os deixei em sua mesa.

— A minha resposta continua sendo a mesma: Não vou dar-lhe o divórcio. Se ele quer falar comigo que venha até aqui. Agora chame a Lizz, por favor.

Enquanto Leninha ia chamar Lizz, sua hair stylist, Beatriz olha para o espelho encarando a sombra da mulher que foi um dia. Ele tirou tudo de mim, até minha beleza. Eu não vou ceder tão fácil, não cometerei o mesmo erro duas vezes. Se eu não posso ser feliz, ele muito menos.

****

Lizz é uma excelente hair stylist, apesar de sua total falta de bom senso. Já está terminando de arrumar os cabelos castanhos de Beatriz, quando a bela jovem de cabelos vermelhos estilo Chanel, não resiste e começa a falar:

— Espero que goste do penteado. Fiz bem diferente da nova namorada do Hugo – dispara, olhando para Beatriz com seus grandes olhos verde enquanto a vira para ver o penteado. — Não se preocupe, seu segredo está muito bem guardado.

— Como soube disso? – pergunta Beatriz, preocupada, a encarando pelo espelho.

— O Hugo me ligou pedindo para arrumar sua acompanhante para um jantar hoje de casamento – responde, passando o batom nos lábios de Beatriz. — Acho que eles vão ao mesmo lugar que você.

— Impossível – retruca imediatamente Beatriz — Eu vou a um jantar de despedida de solteira da minha melhor amiga. Ele provavelmente irá para outro evento. Diga-me, como ela é?

— Não se preocupe, ela é bem diferente de você. Demorei horas para deixá-la razoável – sorri, passando a mão nos cabelos vermelhos — Espero que essa saia justa não aconteça.

— Não vai acontecer – responde Beatriz, secamente, olhando para sua imagem no espelho. Ela gostaria muito de acreditar que a mulher não era bonita, porém sabe que Lizz pode ter dito a mesma coisa para a outra, afinal, assim ela garante uma nova cliente. — Ele não ousaria levá-la para a festa da minha amiga. É falta de educação.

— Sem dúvida – concorda Lizz, se afastando para visualizar o seu trabalho. Ela bate palmas — Magnífica!

Então Beatriz sorri, mas em sua mente permanece aquela amarga possibilidade.

Você pode gostar

Capa do romance A Escolha Dele, A Minha Guerra
8.3
Após um grave acidente, Clara é abandonada ferida pelo marido, Leo, que prioriza um problema fútil da irmã, Sofia. O descaso resulta na morte prematura do filho do casal e em revelações de traições financeiras. Diante da frieza de Leo e das acusações cruéis de Sofia durante o divórcio, a dor de Clara se transforma em sede de justiça. Agora, ela está decidida a lutar por cada centavo e destruir quem a traiu. A guerra começou e ela não terá piedade.
Capa do romance A três
8.5
Rita é uma jovem comum que valoriza a simplicidade de sua rotina. No entanto, sua existência pacata sofre uma reviravolta completa quando ela é surpreendida por um sentimento avassalador e profundo. Esse novo amor, sublime e intenso, desafia sua percepção de mundo e vira sua realidade de cabeça para baixo. Agora, ela precisa lidar com as transformações e emoções intensas que esse encontro inesperado trouxe para sua vida cotidiana.
Capa do romance CEO militar
7.9
podemos não sair vivos desta vez. Explosões ressoam no céu e nas minhas calças. Estou encharcada de suor. Ian, de inıćio, estava vestindo uniforme camulado, mas eu o arranquei com os dentes. E por isso que sei que estou sonhando — minha boca não é tão hábil assim. Na vida real, eu quebraria um dente no zıṕer dele. O despertador berra outra advertência. Minha mente despertando grita: Levanta ou vai se atrasar! Eu me envio mais ainda sob as cobertas, e meu inconsciente vence. Ian dos Sonhos me joga por cima do ombro, como se estivesse tentando ganhar uma Medalha de Honra, e então caıḿos em um beliche de metal. Outra indicação de que isso é um sonho é o fato de que a parte carnuda da minha bunda bate na quina do beliche, mas não dói. Ele se esfrega em mim e balança a cama. Eu arranho suas costas. — Nós vamos ser pegos, soldado — eu gemo. Sua boca cobre a minha, e ele me lembra: — Aqui é uma zona de guerra; podemos fazer quanto barulho quisermos. Uma saraivada de tiros de metralhadora soa do lado de fora. Botas pesadas fazem barulho rumo à porta trancada. — Rápido, precisamos fazer uma barricada! — eu imploro. — Mas como? Não há nada de útil aqui, apenas aquele chicote de couro e meus coturnos que vão até os joelhos! Ele me puxa contra a porta, e nós nos olhamos. A solução de repente se torna clara: teremos de usar nossos corpos como um bloqueio sexy. — Ok, toda vez que eles chutarem a porta, eu vou entrar em você, entendeu? No três: um, dois... Assim que meu sonho chega à parte boa, meu celular começa a tocar “Islands in the Stream”, de Kenny Rogers e Dolly Parton. O country pop dos anos 80 soa no volume máximo. Ouço sintetizadores. Eu gemo e me forço a abrir os olhos. Ian mudou meu toque novamente. Ele faz isso algumas vezes por mês. A anterior era outra música boba de dois velhos malucos. Pego o celular e o puxo para baixo das cobertas comigo. — Tá, tá — eu respondo. — Já tomei banho e estou passando da porta. — Você ainda está na cama. A voz profunda e rouca de Ian dizendo a palavra “cama” faz com que coisas engraçadas aconteçam no meu estômago. Ian dos Sonhos está se misturando com o Ian da vida real. Um deles é um tenente bonitão com braços de aço. O outro é meu melhor amigo, cujos braços são feitos de um metal que nunca tive o prazer de sentir. — Dolly Parton desta vez? Sério? — pergunto. — Ela é um tesouro nacional, assim como você. — Como você arruma essas músicas? — Eu tenho uma playlist no celular. Por que você está respirando com tanta dificuldade? Parece que você daria conta de embaçar um espelho. Ai, meu Deus. Eu me sento e me livro dos resquıćios do sonho. — Adormeci vendo as reprises de M*A*S*H novamente. — Você sabe que há outros programas para ver, não sabe?! — Sim, sei, só que ainda não encontrei um homem que me excite como Hawkeye. — Você sabe que Alan Alda está na casa dos 80, certo? — Ele provavelmente ainda tá com tudo em cima. — Se você diz, Hot Lips… Eu gemo. Assim como acontecia com a Major Houlihan, esse apelido me irrita... um pouco. Afasto os cobertores e planto os pés no chão. — Quanto tempo eu tenho? — O primeiro sinal toca em trinta minutos. — Parece que vou ter que pular aquela corrida matinal de mais de dez quilômetros que estava pretendendo fazer. Ele ri. — Arram. Começo a vasculhar o armário, procurando um vestido e um cardigã que estejam limpos. Os requisitos de vestimenta dos funcionários da nossa escola me obrigam a me vestir como a versão feminina do sr. Rogers. Hoje, meu vestido de verão é vermelho-cereja, e meu cardigã é rosa-claro, apropriado para o primeiro dia de fevereiro. — Alguma chance de você ter enchido uma garrafa térmica extra com café antes de sair de casa? — pergunto, esperançosa. — Vou deixar na sua mesa. Meu coração palpita de gratidão. — Quer saber, eu estava errada — eu provoco, fazendo um tom afetado e apaixonado
Capa do romance Enquanto eu morria, ele estava com sua alma gêmea em trabalho de parto
8.2
No Dia dos Namorados, recebi a notícia devastadora de um câncer terminal com pouco tempo de vida. No mesmo instante, Sebastian Nash confessou sua paixão por outra mulher, alegando uma conexão emocional pura e prometendo manter nosso casamento. Diante da morte iminente, aceitei o seu envolvimento sem resistência. Embora ele insista que me ama mais e implore para que eu não o deixe, meu sorriso amargo reflete o desapego de quem já não tem nada a perder.
Capa do romance VINGANÇA - SEU DESTINO SERÁ PIOR QUE A MORTE (MÁFIA CHRONICLES)
9.1
Growl, o filho bastardo da Camorra de Las Vegas, sempre viveu das sobras alheias. Agora, ele recebe Cara, uma jovem inocente, como um objeto para destruir. Ela é o castigo cruel destinado ao pai dela, entregue à mercê de um homem brutal de olhos vazios. Sem saber sequer o nome real de seu captor, a 'boa menina' enfrenta um destino terrível. O que era inalcançável agora pertence a ele, e a presença dela é a ferramenta final de uma vingança implacável.
Capa do romance Meu Bebê, Meu Cupido
9.7
A vida de Yvonne mudou completamente depois daquela noite angustiante em que ela viu seu noivo dormindo com sua irmã. Com o coração partido, ela bebeu muito, entrou no quarto errado e acabou fazendo sexo com um estranho. Pior ainda, seu pai a deserdou porque ela engravidou fora do casamento. Desesperada, ela foi para o exterior com a determinação de ter sucesso e se vingar. Seis anos depois, ela voltou ao país como uma médica de sucesso e a mãe de um menino talentoso. Aos seis anos, Aiden já era um dos melhores hackers do mundo. Um dia, ele conseguiu a lista dos solteiros mais cobiçados da cidade e perguntou à mãe: "Mamãe, posso ajudá-la a encontrar um namorado. Que tipo de homem você gosta?" Yvonne, que já não tinha interesse em homens, apenas fingia estar pensando no assunto. Antes que ela pudesse responder, um homem apareceu: "Aiden, sou seu pai. Por que você está contra mim?" E assim, começou oficialmente a tarefa de reunir seus pais!