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Capa do romance A Ascensão De Uma Luna Rejeitada

A Ascensão De Uma Luna Rejeitada

Yvette Presley sobreviveu ao massacre de sua alcateia, mas a dor não parou por aí. No seu aniversário de dezoito anos, ela enfrentou a rejeição cruel de seu companheiro. Em vez de sucumbir ao desespero, a órfã transformou o sofrimento em força implacável. Determinada a encontrar um amor verdadeiro e assumir seu destino como uma Luna poderosa, ela buscará justiça. Aqueles que a traíram sentirão a fúria de uma mulher que não conhece limites para se vingar.
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Capítulo 1

Ponto de vista de Yvette:

"Yvette, sua vadia, cadê minha pulseira? Quem diabos pegou minha pulseira?" As palavras foram proferidas por uma voz feminina furiosa e exigente, acompanhadas por passos apressados.

Eu estava preparando o café da manhã na cozinha quando a porta se abriu.

"Senhora, não vi sua pulseira. Não fui ao seu quarto."

"Ah, não foi? Bom, eu ordenei que você limpasse ontem. Tá achando que isso aqui é brincadeira?" Ela me deu um tapa na cara por não ter cumprido suas ordens. O ardor permaneceu ali, como uma marca invisível.

Levei uma das mãos ao rosto para cobrir minha bochecha dolorida. A vontade era revidar, mas respirei fundo e contive o desejo. Eu era uma serva, e para sobreviver, tinha que obedecer.

Essa loba hedionda achava mesmo que uma pulseira poderia fazer os machos da matilha enlouquecerem por ela? Ela era tão feia que para ser bonitinha teria que nascer de novo e fazer plástica.

"Vai, anda logo e encontre minha pulseira." A loba agarrou meu braço e me arrastou para fora da cozinha. Se eu não fosse tão magra, teria força suficiente para lutar, mas não, ainda não era a hora. Fui arrastada pelos corredores da casa de Wade. O chão era completamente coberto por carpetes macios. Como era confortável andar sobre eles, às vezes eu gostava de tirar os sapatos e ficar descalça.

Ouvi gemidos vindos do quarto principal. Parecia que Wade estava lá, em um momento bem íntimo com outra loba. Os gemidos eram tão altos que podiam ser ouvidos por todo o andar, e o ar fedia a feromônios. Outra voz feminina ressoou no quarto, me dizendo que havia mais de uma loba dentro do quarto. A situação pode parecer um pouco estranha, mas não era anormal Wade dividir sua cama com várias lobas. Afinal, ele era o Alfa.

"Não ligue pra eles. Fique quietinha, vá para o meu quarto e encontre minha pulseira", a loba segurando meu braço sibilou para mim com um olhar ressentido. Percebi então que ela costumava ser uma das parceiras de Wade. Ela provavelmente não era mais uma de suas favoritas, e deveria ser por isso que estava tão preocupada em encontrar sua pulseira. Ri em silêncio. Ela achava mesmo que uma pulseira despezível iria colocá-la de volta nos braços do Alfa?

Caminhei atrás dela até seu quarto, mas parei na porta ao ver o estado em que se encontrava. Uma bagunça total. Gostaria de ter limpado ontem, mas estava ocupada demais lavando roupas e cozinhando para toda a matilha. A casa é enorme, não tive tempo suficiente de limpar todos os cômodos. Suspirei. Azar o meu, não é mesmo? Muitas vezes a vontade de envenenar a comida cruzava minha mente, mas isso significava que primeiro eu tinha que conseguir veneno suficiente para acabar com todos eles. E além de veneno, eu precisaria de coragem. Muita coragem.

"Anda logo!" O tom de voz da loba era alto e impaciente, e ela também estava procurando a maldita pulseira em todos os cantos do quarto.

Procurei na cama e no armário, mas não encontrei nada. Não estava na mesa de cabeceira nem embaixo dela. Andei até a escrivaninha, e como eu imaginava, não estava ali também. Ao passar por um espelho, vi meu reflexo. Embora eu fosse um pouco magra para uma jovem de dezessete anos, meu rosto até que era cativante. Na realidade, meu rosto era lindo. O momento durou pouco. A loba me pegou olhando no espelho. "Sua vadia!", ela gritou, sua voz era estridente e cheia de ódio. "Você acha que tem tempo para ficar se admirando? Tá querendo seduzir alguém?" O tapa que recebi desta vez não foi nada como o da cozinha. Esse foi tão forte que me fez perder o equilíbrio e cair no chão.

Tive a impressão de que continuaria apanhando, mas graças a um raio de sol vindo da janela, vi algo brilhante embaixo do armário. Era aquela porcaria da pulseira.

Rastejei até o armário e agarrei o objeto perdido.

As feições da loba se iluminaram instantaneamente ao ver o que eu tinha nas mãos. "Você encontrou, graças a Deus. Pensei que tinha perdido... E eu queria muito usá-la na Cerimônia de Alfa do Darren."

Eu tinha até esquecido. Em alguns dias, Darren se tornaria o novo Alfa da matilha. Muitos membros da classe alta de diferentes grupos compareceriam a este evento, que também era uma oportunidade para as lobas se vestirem com roupas extravagantes.

É claro que eu não fui convidada.

"Por que você ainda está parada aí? Volte para a cozinha e faça seu trabalho", a loba disse. Ingrata.

Ao sair do quarto dei de cara com Wade e suas parceiras. Eles estavam de bom humor, brincando e conversando em voz alta. Acho que o sexo foi mais do que satisfatório.

"Você deveria estar na cozinha. O que está fazendo aqui? Acha que pode ficar fazendo corpo mole?" Uma das lobas rugiu e levantou a mão para me dar um tapa, mas eu habilmente segurei seu pulso.

"Não me toque." Meu tom de voz era calmo, mas fora uma advertência. Eu costumava fingir ser submissa e permitir que os outros me pressionassem, mas já estava cansada disso. Faltava apenas mais um dia para eu completar dezoito anos. Mais um dia, e eu finalmente seria livre.

"Yvette. Você conhece as regras, deixamos você morar conosco por gentileza, então que tal mostrar um pouco de gratidão?", alguém gritou.

Eu me virei, e quando vi que era Wade quem tinha falado, o encarei. Ninguém mais se atreveu a olhá-lo nos olhos porque, bem, ele era o Alfa. No entanto, ele não era meu Alfa. Esse assassino ousava esperar minha gratidão? Escolhi ser sábia e engoli as palavras.

"O que está esperando? Vá cozinhar! E encha o tanque de água! Você não tem permissão para jantar até que esteja cheio!" Ele acrescentou, usando sua voz de Alfa. Dei a volta para fazer o que me foi dito, ou melhor, ordenado. Revirei os olhos.

Era muito cansativo carregar água para cima e para baixo, e isso tudo era porque a Cerimônia de Alfa do Darren estava chegando. Wade não queria que nada desse errado, e era por isso que ele estava me fazendo encher o tanque de água, caso houvesse mais convidados do que o esperado.

"Querido, deveríamos tê-la deixado para morrer quando a encontramos. Talvez ainda tenha tempo de vendê-la para outra matilha", ouvi uma loba dizer antes de sair.

"Ora, vá em frente", eu me virei e zombei. "Queria ver você cozinhar e limpar para a matilha. Aposto que nem sabe ferver água."

"Sua vadiazinha atrevida!" Ela avançou em minha direção e me deu um tapa, mas como eu já havia levado muitos ao longo dos últimos sete anos, a mão dela não pesou tanto quanto das outras vezes.

"É o melhor que pode fazer?", eu disse debochando, antes de ir embora. Eu a ouvi xingar e reclamar atrás de mim, mas não me importei. Ela não passava de uma vadia que dormia com todos os caras da matilha.

Meu nome era Yvette Presley, e eu faria dezoito anos amanhã. Eu morava com a Matilha da Chacina, liderada pelo Alfa, Wade Miller, e sua Luna, Christina. Havia cerca de sessenta lobisomens na matilha. Eles também tinham uma criada que era encarregada de cozinhar e lavar roupa. Quem era essa garota azarada? Acertou em cheio. Eu mesma. Eu fazia todas as tarefas, vivia entre esse grupo de feras, mas tinha rancor de todos eles.

O Alfa, Wade Miller, era um tirano. Ele era famoso por sua crueldade, especialmente entre seus inimigos. Ele foi o responsável por exterminar minha matilha, mas não tratava seu próprio povo muito melhor. Wade e sua Luna, Christina, tiveram um filho chamado Darren, que também era um vilão sórdido. Como diz o ditado, tal pai, tal filho.

Eu costumava pertencer à Matilha Sonho Azul, mas ela não existia mais. Todos os homens, mulheres e até crianças foram brutalmente massacrados pela matilha de Wade. Eu tinha dez anos e sobrevivi por pura sorte. Eu era a princesa da minha matilha, e meu pai, Lucas Presley, era o Alfa. Ele foi um grande líder, gentil e justo com todos, mas de que isso adiantou? Ele foi morto de qualquer forma. Você deve achar que eu sobrevivi porque a Matilha da Chacina tinha um pouco de consciência, mas o motivo definitivamente não foi esse. Eles só queriam uma escrava, e quem melhor do que a princesa de outra matilha para servi-los?

Em nosso mundo, os fortes governavam, e a bondade não era uma armadura. Você só podia contar com suas garras e as poucas armas que tinha à disposição.

Nos últimos sete anos, tenho vivido com os monstros que mataram minha família e me fizeram sua serva. Você deve achar que sou uma donzela em apuros. Pode até ser. Eu definitivamente prefiro o título "donzela em apuros" a "escrava". Depois de saber tudo isso, você deve estar se perguntando o motivo de eu ainda estar aqui. A resposta é simples: eu tinha um lugar para morar, comer e dormir. Embora minha cama fosse pequena, era melhor do que dormir no chão ou na rua. Além disso, o primeiro passo para a vingança é conhecer seu inimigo. Minha força atual era mínima, mas tinha esperança de ficar mais forte.

No momento eu não tinha aliados, mas sabia que logo teria um lobo. Quando ele chegasse, eu não ficaria mais sozinha.

Minha esperança era que a Deusa da Lua tivesse piedade de mim e me concedesse um companheiro que me amasse, cuidasse e protegesse. Se eu nunca encontrasse meu companheiro predestinado, jurei vagar pelo mundo. Ninguém poderia me impedir, eu deixaria este lugar em alguns dias. Como um loba adulta com sangue Alfa correndo nas veias, esse era um direito que eu jamais iria abrir mão.

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