
A Ascensão de Clara: Do Gesso ao Sucesso
Capítulo 3
Dois dias depois, o Pedro apareceu no hospital.
Ele parecia cansado, com olheiras escuras debaixo dos olhos, mas usava as suas roupas de marca impecáveis.
Ele trazia um ramo de lírios, as minhas flores favoritas. Ou pelo menos, as que ele pensava que eram as minhas favoritas.
"Clara, o que significa isto? Porque é que me bloqueaste?" A sua voz era uma mistura de confusão e irritação.
A minha mãe, que estava a descascar uma maçã para mim, levantou-se abruptamente.
"Vou buscar um pouco de água," disse ela, saindo rapidamente do quarto e fechando a porta atrás de si.
Olhei para o Pedro, o homem que eu amei durante cinco anos. Agora, ele parecia um estranho.
"Significa que acabou, Pedro. Eu não quero casar contigo."
Ele riu, um som sem humor. "Não sejas ridícula. Estás chateada por causa do acidente? Eu já te expliquei, foi instinto. A Sofia estava mais perto de mim."
"Instinto?" repeti, a minha voz fria. "O teu instinto foi proteger a tua ex-namorada e deixar a tua noiva ser atropelada por um carro?"
"Eu não te deixei ser atropelada! Eu não tive tempo de reagir por nós as duas!" ele defendeu-se, o seu tom a subir. "E a Sofia estava em choque, ela precisava de mim. Tu estavas inconsciente, os paramédicos estavam a cuidar de ti."
"Ela precisava de ti," afirmei, sem fazer uma pergunta. "E nos últimos três dias, enquanto eu estava em coma, ela continuou a precisar de ti?"
O rosto do Pedro ficou vermelho. "Ela estava assustada. O pai dela, o senhor Costa, pediu-me para ficar. Ele é um parceiro de negócios importante, tu sabes disso."
Claro que eu sabia. O senhor Costa era a chave para a grande fusão que a empresa do Pedro estava a tentar conseguir.
Tudo se resumia a negócios. A minha vida, o nosso futuro, tudo era secundário.
"Então vai. Fica com ela. Consola-a. Assina o teu contrato de fusão," disse eu, a minha voz monótona. "Mas a nós, acabou. Quero o anel de volta."
Ele olhou para mim incrédulo. "Estás a falar a sério? Vais deitar fora cinco anos por causa disto? Por um momento de pânico?"
"Não foi um momento, Pedro. Foi uma escolha. Tu escolheste-a. E continuaste a escolhê-la todos os dias enquanto eu estava aqui deitada."
A sua expressão mudou de irritação para uma súplica calculada.
"Clara, meu amor, por favor. Não faças isto. Nós amamo-nos. Vamos casar. Pensa em tudo o que construímos juntos."
Ele tentou pegar na minha mão, mas eu afastei-a.
"A única coisa que estou a pensar agora é como vou aprender a andar de novo. E vou fazer isso sem ti."
Ele ficou ali parado por um longo momento, o seu rosto uma máscara de frustração. Ele não estava triste, estava zangado porque tinha perdido o controlo da situação.
"Tu vais arrepender-te disto, Clara," disse ele, a sua voz baixa e ameaçadora.
"A única coisa de que me arrependo é não ter visto quem tu realmente eras mais cedo."
Ele virou-se e saiu do quarto, batendo a porta com força. O som ecoou no silêncio.
Os lírios que ele trouxe ficaram esquecidos numa cadeira, o seu cheiro doce a encher o ar, tornando-se enjoativo.
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