Capa do romance A Amante - Coleção Doce Mel I

A Amante - Coleção Doce Mel I

8.0 / 10.0
Após elogiar as habilidades culinárias de Polyana com um comentário sobre casamento, um patrão acaba criando um clima tenso. Ao tentar se desculpar, ele é surpreendido por uma confissão dolorosa: ela ama um homem que já é comprometido. O choque toma conta do ambiente quando o silêncio é quebrado por uma pergunta reveladora de Polyana, questionando se ele próprio, o alvo de seu afeto proibido, tinha consciência desse sentimento guardado.

A Amante - Coleção Doce Mel I Capítulo 1

Saimon

O despertador toca e eu acordo sem nenhuma emoção

— Mais um dia rotineiro e banal.

Olho para o lado e vejo Carla dormindo profundamente.

— Eii! Bom dia meu amor! — Digo me inclinando para lhe dar um beijo.

 — Me deixa dormir! — Ela diz, se virando para o outro lado.

E assim começa o meu dia, nada romântico, mas também não posso culpá-la, já estamos casados a cinco anos e nada de filhos. Esse é o meu maior sonho e o sonho dela também, mas não sei porque nós não conseguimos, já fomos até em clínicas de fertilização e nada dela conseguir engravidar, o que me faz sentir pior é saber que provavelmente a culpa é minha.

 A Carla já engravidou e perdeu um filho antes de namorar comigo, então o infértil da história sou eu. Respiro fundo e vou para o banheiro tomar um banho gelado pra acordar. Escovei meus dentes, vesti meu terno e sai sem tomar café.

(...)

Eu tenho um escritório de advocacia em um prédio comercial, no primeiro andar tem uma cafeteria e geralmente eu costumo tomar café por aqui. Hoje é geralmente um dia comum, assim que termino de comer vou direto para o elevador, clico no penúltimo andar e chego no meu escritório.

— Bom dia, Samanta! — Comprimento-a assim que entro em meu escritório.

— Bom dia, senhor Romão! Hoje o senhor tem uma reunião com o senhor e a senhora Soares para tratar do divórcio deles, e também uma entrevista para a Gazeta Curitibana, novamente o senhor está entre os dez profissionais mais bem sucedidos da cidade. — Ela falou tudo de uma vez sem nem tirar os olhos do computador.

— Que dia mais emocionante! — Digo sem nenhum entusiasmo e ela sorri.

 O dia se passa sem nenhuma novidade em especial, como sempre faço o meu trabalho da melhor maneira possível. O trabalho é a minha paixão, e ultimamente eu tenho mergulhado de cabeça no serviço como maneira de buscar adrenalina.

(...)

Mas enfim, já é fim de expediente e estou me preparando para ir embora quando escuto uma batida na porta.

— Entre! — Digo enquanto organizo uns documentos.

— Com licença — Falou Samanta, entrando em minha sala.

— Samanta você ainda está aí? Pensei que já tinha ido embora.

— Senhor, só vim para dizer que minha colega de apartamento vem amanhã para a entrevista.

— Porque você vai ter mesmo que sair? — Perguntei, fitando a mulher à minha frente.

 — Porque estou de casamento marcado e vou começar os estágios na faculdade de medicina.

— Maldita hora que o Sandro veio me visitar e bateu os olhos em você — Falei sério , fazendo-a sorrir.

Sandro é meu amigo de longa data e desde a primeira vez que viu minha secretária se apaixonou perdidamente, e agora está a levando e me deixando com um grande abacaxi nas mãos. Samanta é realmente muito eficiente!

— Olha, não estou querendo forçar a barra nem nada, mas a Polyana é muito competente e está precisando de um emprego, sabe? Agora que eu vou morar com o Sandro ela vai ficar sozinha no apartamento em que dividimos e ela começou a fazer faculdade de direito, então, este é o emprego perfeito para ela.

— Tudo bem Samanta, eu já disse que irei recebê-la amanhã.

 — Obrigada senhor. Boa noite! — fala antes de sair da minha sala.

 — Boa noite!

 (...)

Assim que termino de organizar alguns papéis, volto para minha casa. E no momento em que entro na mesma, sou recebido por um imenso vazio. Essa casa está cada dia mais silenciosa. Procuro pela Carla, mas ela ainda não chegou do trabalho.

Minha esposa é dermatologista e tem a sua própria clínica de estética, um orgulho para mim, mas que nos distancia cada vez mais, assim como também o meu próprio trabalho. Resolvo tomar um banho e vou procurar algum lugar para jantar, procuro algo casual para vestir, uma calça jeans, uma camiseta preta lisa e um tênis, me olho no espelho e vejo uma expressão cansada e envelhecida para alguém que acabou de completar 31 anos.

 (...)

Voltei para o meu carro e dirigi até uma lanchonete simples em um bairro simples da cidade, hoje eu não tô afim de restaurantes sofisticados no centro. Assim que me sento pego o cardápio e dou uma lida nos pratos e escuto uma voz doce e calma me chamar a atenção

— Boa noite! Em que posso ajudá-lo? — Me pergunta uma linda morena de olhos cinza quase violetas. Ela olha diretamente pra mim, toda sorridente. E eu devo admitir, que sorriso!

— O que vocês tem de mais simples aqui? - pergunto mais animado.

 — Sanduíche e suco! — diz como se fosse o óbvio.

— Eu quero sanduíche e suco! — Falo sorrindo pra ela e ela sorri de volta. Após anotar o meu pedido, ela sai para os fundos da lanchonete, e eu a acompanho com os olhos até ela desaparecer, mas depois me repreendo por fazer isso, ela é só uma garota, e eu sou um homem casado.

Um homem casado que está a horas ligando para a esposa e só escuta a sua voz na caixa postal! Depois de um tempo a moça volta com o lanche e derrama o suco em mim.

— Oh meu Deus! Me desculpe! — Diz a moça, nervosa.

— Tudo bem! Sem problemas! - tranquilizo, ela começa a me secar com um guardanapo e a secar a mesa.

— Me desculpa mesmo! Eu estou muito nervosa! Tenho uma entrevista de emprego muito importante amanhã e não sei bem o que dizer, ou como me comportar. Como vê sou desastrada. — Ela me contou, enquanto limpava o suco.

 — Seja simpática como foi comigo, esbanje esse seu sorriso e seja espontânea como fez comigo desde o início. São excelentes requisitos, não? — Falei tentando acalmar a jovem.

 — O empregador seria um tolo se não me contratasse, né? — Ela fala com um belo sorriso.

— Sim, com toda certeza. - respondi hipnotizado com o seu belo rosto.

— Mas quem é que estamos tentando enganar? Ela dá uma gargalhada muito deliciosa e me faz sorrir de volta, e em muito tempo eu não me sinto tão relaxado e descontraído assim. — Eu vou buscar outro suco pra você! — Ela diz, saindo em seguida.

Termino de comer o meu lanche e deixo o dinheiro com uma boa gorjeta para a moça e me retiro da lanchonete. Antes de entrar no carro, resolvo dar uma volta em um parquinho na pracinha que ficava de frente ao estabelecimento. Vou caminhando e observando as crianças brincarem com seus pais e eu realmente fico com inveja, pois eu adoraria estar ali com meus filhos.

 — Relaxando depois do trabalho? Também faço muito isso depois que saio da lanchonete! Olhar essas crianças brincando me traz uma sensação de paz! — Fala a moça bonita da lanchonete, sentando-se do meu lado no banco. E sem o uniforme percebo que ela é ainda mais bonita.

— Geralmente eu não costumo relaxar assim depois do trabalho! — Confessei, ainda olhando aquelas crianças brincarem.

 — Deveria!

 — Você sempre vem aqui? — Pergunto, mudando de assunto.

 — Sim! Mas isso vai acabar por um tempo! Tô saindo hoje da lanchonete. Amanhã começam minhas aulas noturnas da faculdade e não estão precisando de funcionários no contraturno — Ela me diz, olhando para o mesmo lugar que eu.

 — Sinto muito! — Falo, agora olhando para ela.

— Não sinta! Me deseje sorte para minha entrevista de emprego amanhã. — Ela me diz sorrindo.

 — Para o emprego que com certeza irão te contratar? — perguntei sorrindo.

 — É, para esse mesmo. Boa noite! — ela responde se levantando.

 — Boa noite! A morena se despede toda sorridente e eu fico encantado com sua doçura e simpatia, foi tão espontâneo conversar com a... com a...... "Mas que droga!" — Pensei comigo mesmo. — "Nem mesmo o nome da moça eu perguntei!"

 — Que idiota Saymon! — Falei para mim mesmo me dirigindo para o carro. "Idiota nada! Não é certo um homem casado se encantar assim com uma garota, ela é mais nova que eu, talvez seja melhor assim mesmo moça bonita. Vai ser melhor que eu nunca mais veja você, ou caso contrário, não sei que outras reações eu teria.

(...)

Volto pra casa e encontro o mesmo vazio de horas antes, Carla ainda não havia retornado. Vou até a cozinha e bebo um copo de água e escuto um barulho de chave na porta. Vou até a sala para receber minha esposa.

— Boa noite amor! — Digo quando ela passa pela porta.

 — Boa noite! Já jantou? - pergunta jogando a bolsa e as chaves do seu carro no sofá.

— Comi alguma coisa na rua. E você?

 — Jantei com as garotas da clínica. Eu chego perto dela e a beijo. Começo a deslizar minhas mãos no corpo dela, já faz quase um mês que não transamos e eu tô com vontade. — Amor, eu tô cansada. — Ela diz saindo dos meus braços.

— Quer assistir um filme?

 — Vou tomar um banho e deitar. Boa noite! Ela vai pro nosso quarto, e eu fico sozinho na sala. Ultimamente nossa vida se baseia nisso, somos quase dois estranhos dentro de casa.

 (...)

Acordo com o meu despertador e quando olho para o lado vejo que a cama está vazia, a Carla já foi trabalhar. Tomo meu banho e me arrumo para o trabalho. Minha rotina começa novamente: tomo café na lanchonete do prédio, subo até o meu escritório e dou bom dia para a Samanta.

 — Bom dia senhor! A primeira atividade da sua agenda hoje será a entrevista com a Polyana Martins para a vaga de secretária. — Me falou a mulher, com um sorriso largo.

 — Ahh Samanta, nem me lembre. — Falo pegando alguns papéis de suas mãos.

 — A Polyana é muito esforçada!

— Fazer o que, né? Mas eu não vou prometer nada, eu concordei em fazer a entrevista com ela primeiro porque você me pediu, mas se eu achar que ela não é compatível para o cargo eu vou procurar uma agência de empregos.

 — Tudo bem senhor. Eu agradeço e a Polyana também! Eu entro na minha sala e me sento na minha cadeira, afrouxei um pouco o colarinho e dei um suspiro derrotado. "Que vida mais sem graça, hein, senhor Saymon Romão." — Digo para mim mesmo em pensamentos. Encaro os processos na minha mesa, suspiro e começo a analisar um a um, e escuto alguém bater na porta.

 — Entre! — Digo ainda analisando a papelada.

— Senhor a Polyana chegou! — Me informou Samanta.

— Mande-a entrar! - peço ainda olhando os processos, escuto alguém e aproximar e sentar na cadeira em frente a minha mesa. "Esse caso está muito complicado. Vou ter que estudar com cuidado" — Dizia para mim mesmo em pensamentos.

 — Polyana, qual suas melhores qualidades? — Pergunto ainda fitando aqueles papéis.

 — Sou simpática, sorridente e espontânea! São excelentes requisitos, não? — Me diz uma voz doce.

 "Essa voz!" — Falei em pensamento. Levanto a cabeça e vejo a garota da lanchonete que conversou comigo ontem, e devo acrescentar, ela está maravilhosa, se ontem com o uniforme simples, cabelo com coque e sem maquiagem eu já achei a coisa mais sexy do mundo, imagina agora, com esses cabelos soltos, maquiagem bem feita, e essa blusa decotada. Sei que é errado, mas é impossível não reparar.

 — O empregador seria um tolo se não te contratasse. - respondi com um sorriso, enquanto sentia meu coração bater mais forte.

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