
8 Segundos - A Cowgirl e o Doutor
Capítulo 2
Rayka
— Agora vamos falar de outra coisa, Rayka quais seus planos para esses dias?
— Meu pai está preparando um delicioso churrasco a beira da piscina para hoje. — Como todo bom texano, meu pai ama um churrasco, por isso construiu uma área gourmet no subsolo de nossa casa, com uma piscina aquecida para usarmos no inverno. — E pensei em amanhã cedo irmos para a fazenda, dar uma volta por lá, e voltamos ao final do dia para a festa.
— Ah, não Rayka, você sabe que quero aproveitar esses dias para ficar com o Bryan. — Liz fala.
É claro que ela quer, olho para Ness e dou de ombros, ambas sabemos que Liz insistirá no assunto.
— Quanto a isso Liz, o Bryan não virá para Amarillo, ele decidiu passar o feriado em Arlington. — Ness fala.
— Não acredito que ele fez isso. — Liz fala, olho pelo retrovisor a tempo de vê-la limpando uma lágrima.
— Não chore Liz, ele não merece suas lágrimas, se ele fosse digno delas, não lhe faria chorar, vamos, levante a cabeça, você é uma mulher forte e merece ao seu lado um homem que lhe admire e lhe faça sentir ainda mais forte. — Falo.
— Na teoria isso é lindo, mas acontece que eu amo o Bryan e é com ele que quero ficar, só o que preciso é ter paciência com ele.
Realmente o amor cega as pessoas, como amiga, só o que posso fazer é dar meu conselho e deixar que ela escolha o melhor para si.
— Se pensa assim, vou respeitar sua escolha, mas como alguém que cresceu sendo vizinha dele, digo que Bryan e namoro não combinam na mesma frase. — Falo a verdade e espero que ela mude seu pensamento.
— Quem é você para falar sobre isso? Não tem um namoro sério há anos por medo, já que o último queria ter várias amantes assim como seu pai.
As palavras de Liz me machucam e me enfurecem, não pelo que falou de meus namoros, mas por ter colocado meu pai no meio, pois, ela sabe que não gosto que se refiram a meu pai dessa forma.
Sei que a vida amorosa dele não é o que se chama de comum, ele é casado com minha mãe e ambos são felizes, minha mãe diz que não se importa de meu pai sair com outras e até propôs um acordo há muitos anos, entre as regras, estão que meu pai não pode ter filho com nenhuma delas, para isso ele fez uma vasectomia e a cada quatro meses, faz um exame para garantir que está tudo certo, ele também não pode sair com ninguém de nossa cidade e nem trazê-las para nosso convívio.
Há sete anos meu pai foi ao Brasil para a Copa Mundial de Montaria e também para conversar sobre o projeto do Iron Cowboy, que teve o seu início no ano de 2010 e foi quando ele conheceu a Nicole e iniciou um relacionamento sério com ela. Meu pai sempre foi sincero com Nicole, dizendo que é casado e que não pretende largar a esposa e ela aceitou na boa poder ficar com ele apenas quando estivesse no Brasil e assim eles mantêm um namoro até hoje. Com o tempo, eu acabei me tornando amiga dela, que é uma pessoa gentil e ótima designer, já ficou até combinado que ela fará o projeto para nosso escritório.
Sei que Liz está chateada e até posso aceitar ela me atacar após o que falei, mas isso não justifica envolver meu pai e seu acordo com minha mãe. Para não causar um acidente, encosto o carro e me viro para trás, a fim de respondê-la olhando em seus olhos.
— Em primeiro lugar, se quer atacar alguém, ataque a mim, mas não fale do meu pai, pois, você sabe bem que a Nicole é namorada dele e não amante, então, não se refira a ela dessa forma.
Amante para mim é uma pessoa que só quer destruir uma relação e não tem sentimento verdadeiro ali.
— Em segundo, se eu não tenho namorado, é porque não quero, prefiro ficar sozinha a ser feita de objeto por um cara sem noção e irei esperar até encontrar um homem que me respeite para ter um relacionamento sério.
Só não sei onde encontrar um.
— E quanto a sua pergunta sobre quem sou, sou sua amiga com quem você divide um dormitório a mais de 6 anos, sou alguém que se preocupa com você, que não quer lhe ver sofrendo por ter seus sentimentos feridos por alguém que não te valoriza. E por fim, mas não menos importante, eu peço que não desconte em nós sua raiva do Bryan, pois, não temos culpa do que está acontecendo, tendo em vista o tempo que está com ele, é mais do que suficiente para saber que ele não pretende mudar.
Assim que termino de falar, me viro e me apoio no volante, se tem uma coisa que odeio é brigar com as meninas, não é fácil nossa convivência, onde cada uma tem uma personalidade diferente, mas fazemos nosso melhor, e por isso quando temos algum problema, sentamos e conversamos até tudo se resolver.
— Rayka. — Liz chama depois de um tempo e me viro para ela. — Desculpe-me pelo que falei.
Sei que uma hora teremos que conversar sobre esse assunto, mas agora não é o lugar e nem o momento para isso, sem contar que sei que Liz está fragilizada com sua situação com Bryan.
— Só vamos esquecer essa história e aproveitar esses dias antes de voltar para Harvard, está bem? — Falo com um sorriso.
— Está bem.
Ligo o carro novamente e continuo a dirigir até em casa, sem saber como animar o clima.
— Vocês não acreditam quem me ligou essa tarde. — Ness fala.
— Quem? — Sarah pergunta.
— Com certeza uma mulher, você é pura demais para um homem te ligar. — Falo rindo e fazendo todas rirem junto.
De nosso grupo, Ness é a única que ainda não teve sua primeira vez, pois, quer esperar pelo casamento por amor a sua alma gêmea. Eu, quando mais nova, até pensava igual a ela, mas mudei de ideia depois de namorar por dois anos com Kaleo, eu gostava muito dele e por essa razão me entreguei. Nosso namoro não durou após o fim do colegial, eu fui para Boston e ele para Austin, ficou difícil de nos vermos devido à distância e a quantidade de matérias que tínhamos para estudar, e então descobri a traição e tudo acabou.
Foi inclusive seu irmão mais velho Kaneki, um excelente cowboy, que trabalha na fazenda de meu pai, que me ensinou a montar em touros, eu era muito boa, mas como esse ramo é extremamente machista, isso sempre foi só um hobby meu.
— Muito engraçadinha você. Quem me ligou foi a Anne. — Ness fala.
Anne é assistente do escritório de advocacia em que todas nós fazemos estagio. Ela é uma mulher inteligente, porém muito rígida quando o assunto é trabalho, exigindo perfeição dos estagiários.
— O que ela queria com você? — Liz pergunta.
— Ela está fazendo um inventário de todos os casos que o escritório teve esse ano, e me ligou para dizer que o relatório que fiz do caso 2016.1110-95, está insatisfatório, pois foi pouco detalhista. — Ness explica.
— Afinal ela queria um relatório ou uma transcrição do caso? — Sarah pergunta.
— Não sei, acho que ela queria que eu escrevesse o crime com exatidão. — Ness fala.
— Afinal que caso foi esse? — Liz pergunta.
— Foi do assassinato da autora Julia Ashley, uma moça chamada Layana Rayssa, surtou após a autora matar seu personagem preferido em um livro e então invadiu a casa da mulher e a matou da mesma forma que o personagem havia morrido. O júri considerou o crime como premeditado e ela foi condenada à prisão perpétua. — Ness conta.
— Nessas horas agradeço por ter escolhido ser advogada e não escritora, esses leitores são malucos e perdem a razão por causa de um personagem ou por causa de um livro. — Falo rindo.
Finalmente chegamos a minha casa, estaciono a caminhonete e entramos, vamos em direção as escadas para que as meninas deixem suas malas em meu quarto e colocarmos nossos biquínis.
Assim que entramos no meu quarto, encontro dona Jaqueline, ela trabalha para meus pais desde que se casaram e se tornou minha babá quando nasci, para mim ela é como uma segunda mãe e lhe tenho muito amor e carinho.
Observo que ela está terminando de arrumar a cama, meu pai exagerou ao comprar uma cama gigantesca com quase quatro metros de largura. Por conta dessa extravagância dele, quando as meninas vêm, ficamos todas na minha cama.
— Boa noite, meninas, e sejam bem-vindas. — Dona Jaqueline fala.
— Obrigada dona Jaqueline. — Ness fala.
— Rayka, seu pai pediu para avisá-la que ele lhe espera na caverna. — Dona Jaqueline me informa.
— Está bem, vamos só nos trocar e já descemos. — Falo.
Ela sai do quarto e vou até o closet pegar um biquíni, acabo escolhendo um modelo de babados azul claro, e assim que todas estamos vestidas, descemos para a caverna, que é como meu pai se refere a área gourmet interna.
Você pode gostar





